• Thursday, March 12, 2020



    Credits: Simone Mandl


    Nuvema Town era completamente diferente da agitada Castelia. A ausência de prédios era a primeira coisa que diferenciava as duas, no lugar, pequenas casas bem decoradas e simples formavam a cidade. Flores e plantas decoravam as fachadas e os moradores eram saudosos, cumprimentando todos que passavam por seu caminho. A ruas eram pequenas e ideais para o tráfego de pedestres que dividiam harmoniosamente o espaço com bicicletas e pequenos veículos motorizados.



    Hilda já visitara alguma vezes a cidade quando criança para passar uma temporada na casa da amiga Bianca que morava com os pais na cidade, mas se lembrava pouco do local. Ao sul da cidade, uma espécie de píer dava visão para o mar que parecia não ter fim, local que era considerado um dos pontos turísticos da pequena cidadela. O outro ponto que trazia muito movimento era o laboratório da Professora Juniper, conhecida também pelo seu nome completo Aurea Juniper, filha do renomado Professor Cedric Juniper que no passado foi um homem muito reconhecido pelos seus feitos a Unova.
    Benjamin estacionou o carro em frente ao local combinado e se despediu dos dois com um caloroso “boa sorte” antes de tomar rumo de volta para Castelia.
    Hilda e Hilbert entraram no enorme laboratório e se impressionaram com a organização e a quantidade de objetos cientificamente estranhos para eles. Os poucos funcionários pareciam incrivelmente focados em suas tarefas, observando coisas e anotando em papeis ou em computadores.  O local exalava o cheiro das máquinas novas funcionando, o porcelanato bege que cobria o chão era tão polido que era possível ver o reflexo das coisas como um espelho. As paredes eram pintadas de branco e decoradas com quadros e fios que faziam os aparelhos funcionarem. As vidraças traziam um ar de casa para aquele local tão diferente.
    — Que bom que chegaram – Bianca se aproximou ao vê-los entrar. Hilbert sentiu seu rosto queimar um pouco.
    — Oi Bianca! – sorriu Hilda, cumprimentando a amiga. – Esse é o famoso Hilbert que eu comentei pra você.
    — O-Olá. É um prazer – o garoto cumprimentou a loira, um tanto tímido.
    — Olá, Hilbert. Hilda contou tudo sobre você – riu ela. – Você é bem maluquinho, hein?
    — Ah! – ele exclamou e riu sem graça. – U-um pouco.
    — Bem, eu vou chamar a professora, fiquem à vontade, tá? – a loira saiu.
    Aproveitaram os minutinhos para explorar o resto do laboratório. Victini espiava tudo de dentro da bolsa enquanto Sombra, a Zorua de Hilda cheirava cada canto, como se estivesse conhecendo o mundo pela primeira vez.
    Juniper anunciou sua entrada com animação com seu belo cabelo de cor caramelo presos em um charmoso coque alto, a pele era tão branca quanto a neve e ela possuía um belo par de olhos verdes. Magra e alta, vestia uma regata justa com uma saia verde curta, ambas as peças eram cobertas por um jaleco branco e um tênis social branco com detalhes em vermelho que pareciam confortáveis e adequados para sua rotina.



    — Finalmente conheci a figura que Bianca veio me falando sobre todo esse tempo – riu a mulher, se aproximando. – Hilda, você cresceu, minha querida. Lembro de você na aula de Biologia Pokémon sem entender metade da matéria.
    — Nunca foi meu forte – riu Hilda.
    — E esse é o famoso Hilbert – ela se virou para o garoto, acentuando a palavra “famoso”. - O garoto que falsificou insígnias para conseguir entrar na Liga Pokémon. Olha, meu menino, se não fosse uma atitude meio irresponsável, eu diria que você é o rei da criatividade – a professora continuou rindo e notou quando o garoto ficou um pouco sem graça. – Mas não se preocupe, vamos esquecer isso e focar no mais importante: A sua licença de treinador.
    Os olhos de Hilbert brilharam e ficou ansioso ao imaginar que o começo do seu sonho estava bem próximo.
    — Para começar, eu vou fazer uma carteirinha para você, então eu preciso que sente ali para que eu tire uma foto bem bonita de você – Juniper orientou, toda gentil e guiou o menino para um pequeno espaço onde aparentemente era voltado justamente para a confecção das licenças de treinadores. – Porque não tira seu boné?
    — P-Posso ficar com ele? – Hilbert questionou meio constrangido. – Eu prefiro assim.
    Curiosa, mas compreensiva, a professora assentiu e numa questão de segundos a foto foi tirada. Seguindo com a produção, Juniper começou a perguntar dados pessoais do garoto, como nome, idade e cidade de origem.
    — Hilbert Autevielle, nascido em 24 de abril, natural de Lentimas Town? – ela confirmou as informações e começou a imprimir a carteirinha assim que o menino assentiu. Com cuidado, tirou da máquina e entregou para ele. – Muito bem. Aqui está, agora você é oficialmente um treinador – sorriu a mulher, recebendo um abraço do mais novo.
    — Obrigado, de verdade – a voz parecia meio embargada pela emoção, mas ele não chorou.
    — Não precisa agradecer – respondeu, sorrindo. – Vem, ainda não acabou. O que é um treinador sem o seu Pokémon inicial e a Pokédex?
    — Ah, mas eu já tenho um Pokémon – Hilbert seguiu a professora.
    — Considere um presente então – Juniper acenou para Bianca que se aproximou com uma espécie de carrinho que carregava três Pokéballs bem lustradas e cuidadas.
    Aurea libertou os Pokémon de seus respectivos objetos. Os três eram de tamanhos semelhantes, mas apenas um andava sobre as quatro patas. O primeiro se destacava pela cor verde de seu corpo, se assemelhava a uma espécie de lagarto bípede, seu corpo era magro e se estendia até uma cauda fina que terminava com uma folha de três pontas. Na cabeça, um par de olhos marrons que pareciam sempre sérios e um focinho comprido que se afinava até a ponta. Os braços eram magros e curtos e os pés eram finos. Além do verde, possuía a cor bege na parte debaixo do corpo e amarelo para pequenos detalhes. Era conhecido como Snivy.



    O segundo Pokémon era o que ficava sob as quatro patas e se assemelhava a um filhote de porco. Seu corpo gordo era predominantemente laranja. A cabeça rechonchuda possuía um par de enormes olhos brancos com a íris preta, o topo da cabeça era preto com duas orelhas pontudas e compridas, o nariz era curto e terminava num focinho parecido com uma tomada vermelha, a boca ficava logo abaixo. O corpo se dividia entre laranja para as patas da frente e preto para traseira onde ficava um rabo que fazia uma espécie de volta com uma bola avermelhada na ponta que se acendia toda vez que ele usava um golpe de fogo. As curtas partas eram semelhantes, mas as duas de trás eram mais gordas. Sua espécie era conhecida como Tepig.



    O terceiro e último era uma espécie de lontra que andava sobre duas patas. A enorme cabeça redonda e branca contava com um par de olhos pretos, um focinho oval marrom e abaixo dele, uma boca que fechada parecia um V de ponta cabeça, embaixo dos olhos pequenas pintas decoravam o rosto, no topo da cabeça, curtas orelhas afastadas uma da outra de cor azul marinho. O corpo era rechonchudo e azul claro, na barriga ficava uma pequena concha amarela. Os braços eram curtos e brancos enquanto os pés eram compridos e achatados de cor igual a orelha. O rabo ficava na parte de trás do corpo, e assim como os pés, era achatado e azul marinho. Era da espécie Oshawott.



    — Pois bem, aí estão – Juniper sorriu, acariciando o Tepig a sua frente.
    — Que decisão difícil – Hilbert pareceu pensativo, olhando para os três Pokémon que o encaravam com certa esperança.
    Hilda estava admirada também, assim como tinha imaginado, os iniciais eram mais fofos pessoalmente, principalmente o pequeno porco de fogo que não parava de olhar para ela com certa empolgação. A garota trocava alguns comentários com Bianca.
    — Eu vou escolher o Snivy – concluiu o menino. O Pokémon de grama comemorou ao que os outros pareciam um tanto desapontados.
    — É uma excelente escolha, Hilbert – a professora entregou a Pokéball do Snivy para o treinador e retornou os que sobraram para seus devidos lugares. – Bianca, pode guardar pra mim?
    — Claro – a assistente pegou o carrinho e se dirigiu para uma sala dos fundos, sumindo rapidamente.
    A nova companheira de Hilbert se aproximou dele, cumprimentando-o com um leve grunhido animado. Ele se abaixou e brincou um pouco com ela e se levantou quando Juniper estendeu um objeto para ele.
    — Sua Pokédex. É um aparelho superpoderoso que é capaz de registrar Pokémon daqui da região de Unova para que possamos cada vez mais obter informações novas sobre eles. E eu peço encarecidamente que me ajude na coleta para que possamos aprender cada vez mais sobre essas criaturas tão diferentes – sorriu Aurea toda gentil.
    A Pokedex era um aparelho incrível, cada região possuía um modelo diferente, a de Unova se assemelhava a um celular com duas telas, sendo que uma ficava escondida na parte de trás até ser acionada com um botão na parte inferior. O objeto era cinza com um detalhe de Pokéball vermelha.
    — Conte comigo, Professora Juniper – Hilbert assentiu.
    — Desejo toda sorte do mundo na sua jornada, Hilbert e Hilda. Bianca vai acompanhá-los até a porta – Aurea acenou de leve e saiu para outro ambiente do laboratório, ajudando um de seus cientistas em um relatório.
    Bianca guiou a dupla até a saída do laboratório e os acompanhou até os limites da cidade, onde se estendia uma enorme rota cheia de árvores, grama alta e vários Pokémon que tentavam se manter escondidos. Ali era conhecida como a Route 1.
    — Seguindo a Route 1 que é relativamente curta vocês vão chegar a Accumula Town, não tem muito o que fazer lá, mas é bom dar uma parada para recuperar as energias e comprar alguns suprimentos no Centro Pokémon – explicou a loira. – Saindo de lá, vocês seguem a Route 2 e chegam a Striaton City, que é o onde fica o primeiro ginásio de Unova.
    — É um longo caminho – observou Hilda.
    — E eu estou ansioso para começar! – agitou o garoto ao seu lado.
    — Hilbert? – Bianca se aproximou do garoto e sorriu toda gentil. – Boa sorte com as suas insígnias. Estou torcendo por você!
    O menino de boné sentiu seu rosto esquentar e ele ficou mais vermelho que a chama de um Victini. Ele não conseguia formar uma palavra direito, mas aparentemente tentava falar um “obrigado”, a garota de chapéu verde riu e abraçou Hilda.
    — Boa viagem para você também, amiga – disse.
    — A-ah, obrigada – a morena retribuiu. – Vem Hilbert.
    Ainda bobo, mas com consciência, o garoto seguiu sua companheira em direção a Route 1 enquanto recebiam acenos de despedida da que ficara para trás. Era só o começo de uma grande jornada.



    Recuperado do “baque”, Hilbert resolveu que era hora de todos seus Pokémon conheceram a nova companheira da equipe, Snivy. Eles pararam sob a sombra de uma árvore um pouco fora da rota e os dois jovens liberaram seus Pokémon de seus Pokéballs.
    — Você pode sair também, Vic.
    A criatura de dentro da bolsa saiu e levantou voo, se espreguiçando e sentindo o gosto do ar fresco, depois se aproximou dos outros. A serpente verde observou a Minccino, a Zorua de Hilda e o Victini um tanto curiosa.
    — Mirsthy, Vic, essa é a nossa nova companheira... Hã... Eu ainda não pensei num nome pra ela – riu o treinador. – Mas agora ela faz parte da equipe e vai ajudar a gente a conseguir as insígnias verdadeiras. Não é, mesmo?
    Snivy cruzou os pequenos braços e virou a cabeça convencida, depois arrumou a folha em sua cauda, sempre parecendo preocupada em se manter limpa.
    — Bem, eu acho que isso é um sim – riu. – Você é toda madame, né? Até parece Pokémon de gente da realeza.
    — ... Brianna – comentou Hilda, pensando alto.
    — Hm?
    — Eu li em algum lugar que Brianna significa nobre. Mas é só uma sugestão – a garota pareceu tímida.
    — Eu gosto do nome, soa legal – sorriu. – Bem-vinda ao time, Brianna!
    Brianna soltou um grunhido animado.
    O time tá crescendo, bro – disse Vic.
    Hilda encarou o Pokémon boquiaberta e surpresa.
    — E-ELE FA-FALA?! – exclamou, gaguejando um pouco. Ela não sabia se ficava extremamente curiosa com o acontecimento ou se saia correndo de espanto.
    Eu sempre falei. Só não falava perto de muita gente – explicou o Pokémon. – Então se eu tô falando na sua frente, considere-se privilegiada.
    — I-Isso... – começou e tanto Hilbert quanto Victini encararam ela com certo receio. - Isso te torna ainda mais fofo! – animada, a garota abraçou o Pokémon que se desesperou.
    TIRA ESSA LOUCA DE PERTO DE MIM! – exclamou ele. – Hilbert, me ajuda aqui!
    — Não é problema meu, amigão – riu o garoto. – Ninguém mandou você ser “incrivelmente fofo para garotas”.
    Hilda continuou abraçada com o pequeno falador. Costumava a fazer isso com a Lillipup da família, Angel.
    A sombra da árvore estava tão boa que os dois jovens nem perceberam o tempo passar. A tarde foi bem divertida para os Pokémon que aproveitaram o tempo para se conhecerem melhor e curtir a brisa do ar livre. Snivy parecia compartilhar o mesmo sentimento de limpeza com a Minccino enquanto a Zorua de Hilda tentava “caçar” Victini que não parava de voar em círculos para entreter a pequena criatura.
    — Então você quer procurar um sonho – Hilbert começou a conversa depois de um tempo em silêncio sentado ao lado da companheira sob a árvore.
    — Exatamente.
    — E como pretender fazer isso? Tem algum plano?
    — Não tenho nenhum plano – riu a menina. – Vou seguir sem rumo e ver o que acontece.
    — Agora você tá falando minha língua – sorriu o garoto, ajeitando o boné.
    — Porque o Victini fica na bolsa? – era a vez da menina perguntar mesmo imaginando a resposta, mas só queria prolongar o assunto.
    — Para que as pessoas não o vejam – respondeu. – Não é egoísmo meu, mas é que o Vic é um Pokémon raro – explicou e depois refletiu. – Bom, foi ele que disse, e não é todo mundo que só quer olhar ou admirar, muitas pessoas querem ganhar em cima disso e podem acabar machucando-o.
    — E não é melhor deixar ele em um Pokéball?
    — Eu não capturei o Vic – explicou, olhando para o Pokémon anjo. – Um dia eu o encontrei perdido e resolvemos que um faria companhia para o outro. Diz ele que não se lembra direito de onde veio. Mas ele é um Pokémon lendário, acredito que sabe o que faz.
    — Compreendo – assentiu a morena ao seu lado. – E a Minccino?
    — A Mirsthy eu ganhei da minha mãe um pouco antes de sair em jornada. Eu não cheguei a batalhar seriamente com ela. Eu só uso ela para eventuais encrencas já que ninguém resiste aos Baby-Doll Eyes dela – riu o menino, meio nostálgico.  
    — Você me disse que queria provar que era forte para as pessoas da sua vila – começou Hilda, recebendo um olhar meio sério do companheiro. – O que exatamente aconteceu?
    Meio relutante e um pouco traumatizado ao pensar, Hilbert balançou a cabeça negativamente tentando tirar as memórias da cabeça.
    — Eu... não quero falar sobre isso, ok?
    A garota assentiu.
    — Desculpe por perguntar.
    A conversa terminou naquele momento, o clima tenso logo passou quando Zorua pulou para alcançar o Victini mas acabou falhando e caindo de boca sobre as folhas caídas nos chão, fazendo os presentes rirem e sua treinadora exclamar de preocupação.


    A noite chegou e nenhum dos dois tinha percebido o tempo voar. Os sons noturnos da natureza pareciam assustar qualquer despreparado perdido na pequena rota que parecia sem fim naquela escuridão. Hilda ficara um tanto irritada por perder tanto tempo na rota e não ter outra opção a não ser passar a noite ali.
    — Vamos ter que dormir no meio do mato? – reclamou, batendo os pés.
    — É mais divertido do que pensa – argumentou seu companheiro, subindo em um dos galhos de uma árvore baixa. – É uma paz absoluta.
    O garoto se ajeitou e deitou com Victini, Minccino e Snivy sobre seu colo. Os três Pokémon se reconfortaram como se fosse uma pequena família unida. Aparentemente, aquelas pequenas criaturas tinham uma estranha facilidade se darem tão bem, não importando o tamanho ou a espécie. Os humanos tinham muito a aprender com eles.
    A menina que ficou no chão, ainda resmungando começou a arrumar algumas folhas para deixar o local mais confortável possível e se deitou, Sombra se aproximou da treinadora e se reconfortou no meio dos braços dela, soltando um pequeno grunhido carinhoso.
    — Boa noite, Sombra – sorriu a menina. – Nossa primeira noite na nossa aventura. Estou tão ansiosa para o que vai acontecer – a Zorua mantinha sua atenção focada nela – Boa noite, Hilbert! Vic, Mirsthy e Brianna também!
    — Boa noite – respondeu o garoto na árvore acompanhado dos grunhidos de seus Pokémon e um boa noite tímido de Victini.
    Em poucos minutos, todos já estavam dormindo sob as brilhantes estrelas do céu enorme de Unova.



    A luz fraca do laboratório de Juniper denunciava que alguém ainda estava trabalhando no local. Bianca penteava os dois iniciais que sobraram enquanto eles se alimentavam de pequenas porções de ração para Pokémon. Tepig parecia o mais esfomeado, mas também era o mais desanimado. Oshawott se divertia com os carinhos da humana, os dois tinham certa conexão há muito tempo.
    — O que foi, Tepig? – perguntou a loira. – Parece desanimado. Será que quer mais comida? Eu vou pegar pra você.
    A menina saiu da sala em busca da ração. O porco de fogo suspirou e olhou para seu companheiro que retribuiu o olhar, meio confuso. A janela aberta trouxe um pouco da brisa da primavera e também uma ideia genial na cabeça do pequeno Pokémon.
    A pequena criatura laranja tomou impulso de onde estava e avançou para a janela num pulo longo, por pouco conseguiu agarrar o parapeito e subir a abertura da vidraça. O Pokémon de água que ficou para trás se agitou e alertou para que o amigo não seguisse com seu plano de fuga. Tepig ignorou e se jogou, correndo em direção a Route 1 em meio aos arbustos.
    — Tepig, Oshawott, voltei... – Bianca apareceu novamente segurando o pacote com a ração e estranhou quando viu apenas um Pokémon. – Osha, cadê o Tepig?
    Oshawott tentava explicar da sua maneira o que tinha acontecido mesmo a garota não entendendo nada, ele apontou várias vezes para a janela aberta até que a ficha caísse.
    — Ah meu Arceus – a loira correu e foi seguida pela lontra. – Professora Juniper! – gritou – Temos problemas. O Tepig. E-eu acho que ele fugiu... Ou foi sequestrado.
    Juniper tirou seus óculos de leitura, um tanto incrédula e se levantou.
    — C-Como assim, Bianca?
    — Eu fui buscar mais ração para eles no estoque e quando voltei só encontrei o Oshawott que estava desesperado. O Tepig tinha simplesmente sumido.
    — Que desastre! – a professora coçou os cabelos. – Olha, eu vou ligar para a guarda local, você vai até os limites da cidade e vê se encontra ele.
    — Ok. Fica de olho no Oshawott – a garota correu, mas continuou sendo seguida do Pokémon de água. – E-ei, você tem que ficar aqui, pequeno. É perigoso, não podemos perder mais um.
    Oshawott pareceu implorar com suas patas brancas.
    — Leva ele com você – disse Aurea.
    — H-hã? Mas...
    — Já faz um tempinho que eu queria te dar ele – sorriu a mais velha. – Vai, pode levar.
    — O-Obrigada, professora – um tanto animada, Bianca correu para fora com o novo Pokémon e seguiu pelas ruas iluminadas da cidade. – Preciso de uma ajuda no céu – a loira tirou um Pokéball do bolso e jogou para cima, liberando um Pokémon voador.
    Tranquill era a evolução de Pidove. Se assemelhava a uma pomba de tamanho maior com suas penas cinzas e pretas da cabeça até a ponta da cauda. Tinha pernas roseadas com garras afiadas nas pontas. O bico na cabeça era ligeiramente comprido e amarelo e a pálpebras tinha um detalhe em vermelho, seus olhos eram dourados que pareciam enxergar de longe.



    — Tranquill! – gritou a treinadora para seu Pokémon no céu. – Preciso que me ajude a procurar o Tepig. Ele é pequeno e laranja com um a bola vermelha no rabo! Me avise se ver algo.
    A criatura grunhiu alto e começou a sua busca pelo ar enquanto Oshawott e Bianca continuavam a busca desesperados por terra. Qual seria o motivo da fuga de Tepig?


    Os corredores daquele lugar pareciam intermináveis conforme corria. Seus passos ecoavam sobre os pisos azuis celestes e as paredes com pilares de uma arquitetura antiga pareciam julgar a correria, como se fosse antiético andar com pressa por ali. A moça então alcançou uma porta dupla enorme que fez um barulho intimidador ao ser aberta.
    Usando um uniforme branco, azul e preto com um logo estampado no peito, ela respirou fundo, recuperando fôlego antes de falar. A sua frente, estava uma enorme mesa redonda localizada no centro do salão que possuía sete das oito cadeiras disponíveis por homens vestidos com espécies de túnicas de cor marrom com exceção do sétimo, que tinha um cabelo verde comprido e uma enorme capa com tons de amarelo e roxo com enormes olhos estampados. Todos olharam um tanto irritados para mulher que tinha acabado de entrar.
    — D-Desculpa interromper a reunião dos senhores – começou a mulher, sentido a voz falhar. – A equipe Alpha tem notícias da Operação Ideal.
    O homem que possuía a roupa diferente dos demais se levantou interessado e gesticulou para que ela continuasse.
    — Na noite de ontem, ouvimos uma ligação da Líder de Ginásio da cidade de Nacrene City, Lenora com o Líder de Ginásio de Driftveil City, Clay sobre uma suposta energia que saiu da Twist Mountain que se assemelhava a raios azuis. Ao que parece, Clay iria investigar pessoalmente.
    — Raios azuis? – o homem de cabelos verdes sorriu. – O Rei já está sabendo disso?
    — Um dos membros da nossa equipe já foi comunicar ele.
    — Ótimo. Que a busca comece – a risada amedrontadora ecoou pela sala e fez alguns estremecerem.



    { 10 comentários... read them below or Comment }

    1. Que capítulo fofo de tantas maneiras diferentes! :3 Estou gostando muito de pequenos detalhes que você dá, como o fato do Benjamin levá-los de carro até o laboratório que mostra como ele é cuidadoso, e também o Hilbert ficando todo sem graça perto da Bianca ou o fato dele não querer tirar o chapéu na foto, é aquele clima gostoso de começo de jornada que nos faz olhar láaaaa na frente e pensar: Mas estava o tempo todo na nossa cara!

      Brianna será uma excelente adição ao time que mal começou e já mostra seu potencial, isso porque nem me importo muito com batalhas, mas QUANDO COMEÇA A PENSÃO POKÉMON, HEIN? kkkkkkk Interessante essas informações sobre o Vic, é muito intrigante ter um lendário andando na sua mochila, você não sabe até onde isso pode ajudar ou atrapalhar na jornada, vai que essa informação cai em mãos erradas. Eu amo como esses dois conversam sem ter nenhum plano do que fazer em seguida, mas isso importa? Vamos apenas seguir nossos corações ♥

      E olha o Tepigzinho partindo em direção de seu destino! O bicho taca o foda-se e se joga no meio dos arbustos, isso que é Pokémon haehuhae Mal posso esperar pelo próximo, que suas palavras sempre posam carregar essa delicadeza quando for escrever!

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      1. Ei Canas <3

        Esse capítulo é um dos meus favoritos quando escrevi. Meu plano para ele era apresentar o Team Plasma para os protagonistas logo de cara, mas perder a graça de ver os dois protagonistas interagindo juntos sozinhos pela primeira vez? São pequenos detalhes que fazem sentido lá no futuro.
        Hilbert é de Touro, sim hasuahsahus

        Snivy sempre dividiu lugar com Tepig como inicial favorito de Unova, mas acho que vai ser interessante o Hilbert carregar um tipo grass no time.
        PENSÃO POKÉMON VIRÁ A TODO VAPOR COM MUITO HUMOR NON SENSE HAUSUASUAHSHU

        O Vic é um personagem que eu to procurando varias maneiras de se trabalhar com ele, e eu acho interessante que mesmo que a gente trate ele como um menino, o nome dele dá abertura para trabalhar como menina. Victor ou Victoria ausahushuashu

        Tepig é um exemplo de determinação pra gente ahusahusahus
        Obrigada pelo comentário, Canas, é sempre bom te ver aqui. See ya <3

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    2. Eaaaaaaeee Star

      Vou dizer, eu tava ansioso por esse capitúlo, e agora estou ansioso pelo próximo. Sua escrita, apesar de ser bem pouco descritiva e diferente do que eu estou acostumado, é muito boa e você é ótima em fazer dialogos. Eu acho esse Tepig meio maluco de se jogar da janela, mas tudo bem. A pergunta: se um dos iniciais nunca for escolhido, o que acontece com ele?
      Na minha opinião o último paragrafo foi o ponto alto do capítulo. Eu sempre amei a equipe Plasma, e qualquer chance de vê-los em ação me fascina. E eu acho que sei quem é em Twist Mountain (é meio óbvio pra quem conhece bem a região até, mas continua legal, mas a paergunta que permanece: Será que o Clay tem peito pra peitar os plasmas e o poké nas montanhas?

      Ansioso pelo próximo cap, e caso eu ainda não tenha falado nada sobre, BEM VINDA A NEO !!!

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      1. Yoooo Wall

        Obrigada por comentar <3

        Uma ansiedade atrás da outra. Isso é um elogio pra mim rs
        Eu desencanei de tanta descrição pq acabava enjoando na hora de escrever. Prefiro ações que me fazem concluir rápido o capítulo, mas espero que não esteja confusa ou muito rápida.

        Tepig é muito fofo mano aaaaaaaaa
        Ele provavelmente fica no laboratório esperando um novo dono ou com o professor para sempre uashausahu

        UUUUUH, FINALMENTE A TEAM PLASMA. TO LOUCA PARA TRABALHAR COM ESSES CARAS!
        CLAY VAI CHUTAR GERAL AHSUAHUSAHSHUASH

        Obrigada Wall por aparecer <3

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    3. AAAAAA que começo fofinhooo! Ainda fico bolada de ninguém ter visto o potencial marginal que o Hilbert pode ser tornar por ter falsificado insígnias, mas ok. Eu achei bem engaçadinho o fato dele ter ficado tímido na frente da Bianca, imagino como seria se ela fosse com eles, ia matar o pobre menino do coração. Apesar de saber o motivo dele não tirar o boné, estou ansiosa para saber qual será a reação da Hilda diante disso kkkkkk
      Aaaaaahhh a Brianna toda metidinha achando q é genteee (ou no caso, Pokémon). Acho que o Hilbert lidará de boas com ela no início, mas temo que quando ela evoluir, talvez não seja assim tão fácil para ela pq com certeza essa rebeldia vai aumentar huehuehue.
      Achei bem interessante esse clima que você construiu de os dois simplesmente saírem de boa por aí, pelo menos no início, sem grandes coisas a se preocupar. Logo com o desenrolar das aventuras eles passarão por coisas mais pesadas e terão que amadurecer, então deixa eles serem apenas jovis inocentes por enquanto.
      Tepig (que eu vou chamar de Bacon) é dos meus, bem pokémon raiz que escolhe o que vai fazer e é dono de seu próprio destino. A fuga do Bacon me enche de determinação *-*. Tomara que ele fique com a Gildinha, ela merece um pokémon tão legal quanto ele.
      Ótimo capítulo, Star-chan! Ansiosa pelo próximo!

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      1. YOO CAROL

        Bem-vinda ao capítulo 3 :3

        Hilbert perdeu a vida do crime, mas o crime abandonou ele? hasuashuaushhu Hilbert e Bianca são um shipp em potencial que eu adorarei ver a galera discutindo com o pessoal de Hilda e Hilbert haushuashuahus
        Eu estou ansiosa pra detalhar esse maldito boné para vocês ;-; Prometo que vai ser incrível :3
        Eu gosto de começos calmos, considerando que eu já destruí tudo nos dois primeiros capítulos haushuashuausahu Então os dois merecem descanso, é hora de se conhecerem.
        Brianna é toda princesinha, merece o mundo <3
        CORRA BACON, VÁ ATRÁS DOS SEUS SONHOS. VÁ VER A GILDINHA!

        Obrigada por comentar Carol! Te vejo na próxima <3

        See ya

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    4. Yo Anan (isso foi de propósito)
      Mano do céu, que capítulo bom da porra, caralho, finalmente Bertinho e Hilda foram ao laboratório da Juniper pegar os iniciais e Bertinho escolheu justo Snivy, amo ela, meu inicial favorito de Unova junto do Oshawott (Tepig, o que tenho haver, não é mesmo?)
      Ai, esse capítulo tá lindo de maravilhoso, se fuder, AaAaAaaAAAAAaaa, amo muito sua escrita, ela é fluida, você pega o ritmo pra ler depressa e se prende a ele muito rápido, simplesmente amo.
      E o que será do Tepig? Será que ele vai parar na churrasqueira? Ou será que ele vai ficar zanzando por aí mato a fora até encontrar um dono que o mereça? Ansioso para saber.
      Bem, é isso, Star, até o próximo capítulo, denga.

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      1. YOOOO Alefu (não, pera)

        AAAAAAAAA OBRIGADA PELOS ELOGIOS, eu nunca sei como reagir, só sei ficar feliz em saber que vocês estão adorando <3 Isso me motiva a cada dia

        Eu sou suspeita pra falar, mas escolhi o Snivy pro Hilbert pq justamente é meu favorito, assim como o Tepig. Eu sei que muita gente adora o Oshawott, espero conseguir fazer um bom trabalho com ele também.

        ESPETINHO DE TEPIG AAAAAAAA

        Obrigada pelo comentário, Leucro, é sempre bom te ver aqui <3

        See ya

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    5. Diga, Star! Tranquilidade?

      Eu curto tanto esse comecinho de jornada, tudo transcorrendo em uma vibe bem leve e sem preocupações. Temos os iniciais entrando na história e alguns pontos a serem discutidos.

      Primeiramente, já que foram mencionados, vamos falar sobre os iniciais. Eu vou ser sincero. Em Unova eu sou Team Oshawott (apesar de não curtir muito Samurott), mas achei a distribuição que você fez muito boa. Deu pra ver logo de cara que o santo do Hilbert bateu com o da Snivy, então acho que foi a escolha mais justa. Já imaginei também que o Tepig ia ficar com a Hilda, já estava até deprê com o Osha ficando pra trás, mas você me pegou de surpresa quando apenas o Bertinho saiu do laboratório com um inicial. Depois fiquei feliz que a Bianca recebeu o Osha da Juniper, e isso pode indicar que ela não vai ficar no laboratório por muito tempo, e aí essa fuga do Tepig me deu a certeza de que ele não é só um figurante (também acho que ele vai seguir com a Hilda).

      São tantas coisas abrindo questões, mas acho que de momento esse passado do Hilbert foi o que mais chamou a atenção. Coisas aconteceram com ele, e deve ter sido desgraça pra ele não querer nem tocar no assunto. Vamos ver como a Hilda vai fazê-lo se abrir em breve para que possamos descobrir o que há de background a ser explorado nele.

      Por fim já vamos introduzindo a Team Plasma, né? Parece que você já quer trabalhar rápido com a equipe vilã. Isso aí, não seja um ShadZ da vida pra só introduzir os vagabundos depois de 12 capítulos kkkkkkkkkkk

      Até a próxima! õ/

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      1. Yooo Shadow

        Que felicidade te ver por aqui <3

        Depois de dois capítulos cheios de correria, acho mais do que justo a gente puxar aquela dose de calmaria e de começo do jornada que o jogo tem né? É quase um checklist esse tipo de capítulo. Pokédex, ok, Iniciais, ok. ahsuahsuahus

        Teve uma época que eu era team Oshawott, adorava o Dewott, mas eu sempre pendo pro lado do Tepig e da Snivy, ainda que eu não goste de Emboar haushuahusa Mas Serperior é meu favorito de longe. Não tive muito que refletir sobre os iniciais no final.
        Eu quis distribuir os iniciais sem que nenhum sobrasse, e acho que a Bianca combina com a lontrinha do tipo água huashuashua

        É agora que a gente começa a focar melhor nos protagonistas e nos plots que vão guiar Neo Unova. É bom ver que o Hilbert tá chamando a atenção, espero poder te impressionar lá no 5 com o passado dele <3

        Eu admito que esse final aí foi só pra comer palavras, mas ele é o prólogo para acontecimentos lá depois do capítulo 10, então fique atento :3

        Obrigada pelo comentário <3

        See ya

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