• Thursday, July 16, 2020

    A mulher desceu com certa pressa do carro, mas sem perder a classe. Estava em Driftveil City. Sua fama como treinadora mais poderosa especializada em Normal-type corria os quatro cantos de Unova e até outras regiões, mas sua pressa não se devia a isso. Além de uma exímia líder de ginásio, Lenora administrava um dos maiores museus arqueológicos da região e era uma especialista em artefatos pré-históricos, obviamente sua presença naquele lugar era extremamente importante.

    Ela adentrou o enorme prédio e franziu o cenho quando viu que a estrutura do local estava mais para um sítio arqueológico do que um ginásio de batalha Pokémon.

    — Eu tô no endereço certo? – ela questionou-se para si.

    — E tem outro ginásio nessa região com uma arquitetura tão perfeita quanto essa? – Clay se aproximou com sua roupa que remetia a estilo country. – Bem-vinda, minha querida Lenora. 

    — Eu não sabia que seu ginásio estava em reforma, vai trocar os pisos? – questionou a mulher, ainda intrigada com o lugar.

    — Que pisos? A graça de um especialista em Ground-type é intimidar os desafiantes mostrando que estamos lutando em vantagem – riu o homem, convencido.

    — Prefiro o subsolo da minha biblioteca – suspirou. – Mandou me chamar, o que é tão importante? Desmarquei uns cinco desafios essa semana pra vir te socorrer, é bom não ser outro fóssil de Tirtouga ou Archen.

    — Venha até meu escritório, vou te explicar a situação.

    A dupla de líderes usou um elevador para alcançar o andar superior, diferente do térreo, o local tinha piso de verdade, um porcelanato branco combinado com paredes da mesma cor, decoradas com quadros de vários Pokémon fósseis já encontrados no mundo. Clay se aproximou da mesa de madeira maciça e procurou nas grossas gavetas um notebook.

    — Sente-se, Lenora. Quer um café?

    — Chá de Iapapa Berry, por favor – pediu, sentando-se em uma das cadeiras de couro. – Não tomo café.

    O homem ligou o notebook e usando seu telefone, fez o pedido.

    — Mora numa cidade com um dos melhores café da região e não toma?

    — Pelo contrário, tomei tanto que peguei desgosto – riu ela. – Pode parar com o mistério agora, o que tá acontecendo?

    — Lembra que eu te contei que nossos Klangs e Magnetons começaram a ter comportamentos estranhos nas expedições na ala norte da Twist Mountain? – começou o líder. – Os outros Pokémon, principalmente do tipo Ground, não sentiam nada. A origem disso talvez fosse eletricidade.

    — Um raio? Alguma tensão na energia elétrica? – Lenora deu as opções, como se ainda não entendesse o que o amigo tinha a dizer.

    — Maior do que isso. Na noite do dia 25 de Janeiro, nossas câmeras flagraram isso – Clay deu play em um vídeo de qualidade média, mas que era bem visível.

    O vídeo mostrava uma visão periférica de um ponto alto da Twist Mountain, as únicas coisas visíveis eram o movimento calmo das nuvens. Até que, como mágica, a imagem tremeu e um raio azul rasgo o céu verticalmente de cima para baixo, como tivesse sido atraído por algo.

    A negra olhou para seu anfitrião, assustada.

    — O que diabos foi isso?!

    — No dia seguinte, nossos operários foram analisar a área atingida, era uma área que justamente estávamos explorando, encontramos uma esfera negra, de mais ou menos 30 centímetros de diâmetro – Clay mostrou as fotos da esfera que era perfeitamente bem moldada. – Eu tenho minhas dúvidas do que seja, mas você tem mais experiência do que eu. Isolei a área com medo de manusear o objeto e perder sua forma original.

    Lenora sorriu interessada.

    — Me leve até lá.

     


    As ruas de Driftveil City eram movimentadas e contavam com um frescor natural graças ao grande rio que margeava a costa leste da cidade, Clay não mediu esforços em usar um de seus carros mais luxuosos para desfilar pelas vias.

    — Como está o Professor Willard? – questionou o homem, enquanto dirigia.

    — Meu marido? Ah, está bem. Contente por conseguir trazer a vida uma ninhada de filhotes de Archen e Tirtouga – riu Lenora.

    — Fico feliz pela evolução dele – ele dobrou a esquina em direção a uma rua que ia para o norte da cidade. – Ainda não tem planos para filhos?

    — Eu acho que com essa vida de ginásio e administrar um museu e a dele de viver com a cara enfiada em laboratório ter um filho seria um tanto imprudente, o coitadinho ficaria jogado no meio dos fósseis – riu ao imaginar a cena. – Além do mais, cuidamos do Jackson como um filho, já é uma excelente experiência.

    — Jackson? Seu sobrinho? Faz tanto tempo que não vejo o garoto. Como ele está?

    — Tá trabalhando pra mim agora. Ele é museólogo, mas exerce funções como escavador e arqueólogo – contou, toda orgulhosa. – Deixei ele cuidando do ginásio pra mim nessa semana, vou torcer para que ele faça um bom trabalho. Mas e você, senhor divorciado? Já virou a página?

    — Não posso falar muito concretamente, mas eu conheci alguém – disse ele. – Ela é dançarina e mora em Nimbasa City. Havana Foley é o nome dela, acho que você deve conhecê-la.

    — Como não conhecer? Ela vive aparecendo nas propagandas de TV também – riu Lenora. – E mesmo que eu não assista tanto, a gente acaba se deparando com aquele rosto juvenil dela. Estou impressionada.

    — Foi pura coincidência. Nos encontramos em um evento e agora trocamos mensagens – riu Clay. – Não temos nada oficial, mas, quem sabe né?

    Conhecendo o líder de ginásio de Driftveil pelo seu jeito de ostentação e influência na região, Lenora não se impressionou quando seu amigo anunciou que construiu um canal subterrâneo que ligava a cidade até a Twist Mountain, e detalhe: O túnel tinha seu nome. O local parecia sem fim, mas possuía uma excelente estrutura, o homem preservara a natureza do ambiente, considerando que ele era especializado em Ground-type, não era surpreendente vê-lo deixar os Pokémon dessa espécie circular normalmente.

    — Ficou sabendo da garota prodígio? – questionou Clay. Puxar conversa talvez faria o caminho ser mais rápido.

    — A aprendiz do Drayden? Ouvi falar dela algumas vezes nas reuniões do conselho. 

    — Parece que ela finalmente está pronta para disputar a vaga de campeã da Elite 4 – informou, acenando para um trabalhador conhecido.

    — O quê? Já?! – Lenora encarou o motorista, incrédula. – Ela só tem catorze anos, o pessoal passa pelo menos mais dez anos depois de vencer a Liga treinando para tentar alguma vaga.

    — E acha que eu não sei? – ele olhou pra a mulher. – Mas você sabe a ambição do Drayden, já que ele não conseguiu vencer Alder em quarenta anos de carreira, ele prefere pelo menos ter crédito em cima da Íris. E convenhamos, todo mundo ficou surpreso quando ela derrubou o time do Brycen com um puro Dragon-type.

    — Brycen até renunciou ao cargo naquele dia pra se dedicar a sua carreira de ator – completou a negra, recordando dos acontecimentos de quase um ano atrás. – Sabe quando vai ser o desafio?

    — Ainda não tivemos datas divulgadas, mas esteja preparada, porque vai ser um evento para parar Unova inteira.

    A luz no fim do túnel anunciou finalmente a chegada a Twist Mountain, que, como sempre estava lotada. Clay estacionou seu carro em um canteiro próximo a um posto de trabalho e se dirigiu até ele junto de sua companheira.

    — Sr. Morrison? – chamou o especialista em tipo solo para um homem com um chapéu de construção uniformizado. – Essa é a Sra. Petrie, Lenora Petrie. Ela é administradora do Museu de Nacrene City.

    — Ah, bem-vinda. É um prazer conhecê-la – o homem selou a apresentação com um aperto leve de mão. – Ela veio ver o objeto misterioso da ala norte, né?

    — Exatamente, acredito que ela possa nos ajudar a identificar o objeto.

    — E quem sabe, expor ele no meu museu – riu Lenora.

    O trio então se dirigiu até a escavação, descendo algumas escadas improvisadas até chegarem a uma área que era cercada por faixas amarelas de isolamento, o local dava pra uma entrada que levava a um longo túnel iluminado, onde provavelmente ficava o suposto objeto. Morrison se identificou com um segurança que protegia a área com um Herdier mal-humorado.

    Lenora observou o trabalho minucioso de escavação e ficou admirada, Clay poderia ser um egocêntrico burguês, mas conseguia fazer com que seu trabalho fosse feito perfeitamente bem, sempre respeitando a natureza local. Não foi um caminho longo, eles trocaram algumas palavras antes de finalmente chegarem, a mulher sentiu sua garganta travar.

    — Aqui está. Tem uma energia poderosa só de chegar perto, e olha que eu sou cético – brincou o líder da expedição, exibindo a pequena esfera de cor preta que estava entre os escombros da escavação, intacta.

    — Alguma informação do que pode ser? Teorias? – perguntou Clay, observando os raios azuis que entravam e saiam do objeto.

    — Pesquisamos nos nossos arquivos, mandamos fotos para outros pesquisadores de fora mas eles não conseguem ter uma resposta concreta. Alguns disseram que é só uma espécie de geodos de ametista, enquanto outros dizem que é apenas uma pedra vulcânica qualquer – explicou Morrison. – Mas ela fica assim, liberando esses “raios”.

    — Pode ser uma espécie de Pokémon – cogitou o homem vestido com estilos country.

    — Não pode ser... – murmurou a mulher, agachada pra observar melhor o artefato.

    — O que foi, Lenora?

    — Era uma lenda, não era? – ela se levantou. – O objeto que sela os dragões lendários de Unova.

    — Até onde eu sei, a comunidade cientifica e arqueológica descartou a existência desses objetos após não encontrarem nada que comprove – explicou Morrison, com a mão no queixo. – Eles diziam que uma família era “responsável” em zelar a segurança desses objetos, mas essa família sumiu de Unova.

    — Eu acho que pela primeira vez, terei que discordar com a ciência – a negra olhou para os dois homens que a acompanhava. – Essa esfera é igual aos desenhos de Junsei Kurosawa.

    — O cara escrevia muita ficção, Lenora – argumentou Morrison, revirando os olhos e olhando pra Clay. – Essa é a especialista que trouxe?

    — Não duvide da capacidade dessa mulher – bufou. – Mas ele tem parte de razão, Lenora, não podemos simplesmente dizer que é isso sem estudos.

    — Deem um jeito de tirar aquilo de lá e a transportem para o meu museu em Nacrene.

    — De jeito nenhum, não vai ter posse do objeto só porque vai estudar ele. Estamos nessa expedição há mais tempo, seja lá o que isso for, merece ficar em Driftveil! – contrapôs Morrison, cruzando os braços, franzindo sua enorme testa.

    — Está interessado num objeto que nem existe, senhor? – debochou a negra, com as mãos na cintura.

    — Senhores, por favor, é um caso importante – interrompeu Clay. – Devemos discutir a posse do objeto depois.

    O clima de tensão pairou no ar por alguns instantes, e só se dissipou quando um tremor não causado por causas naturais sacudiu a montanha. Do lado de fora, era possível ouvir passos apressados e grunhidos de Pokémon atacando. Lenora encarou seus companheiros e correu em direção a saída do túnel, se deparando com operários desesperados, grande fumaça e um enorme grupo de pessoas uniformizadas rodeando o local, parecendo interessadas no mesmo objeto que os dois líderes de ginásio. Era difícil contar o número de homens e mulheres, já que as roupas que remetiam ao mesmo estilo usado por cavaleiros da idade média, o que incluía toucas que dificultava a identificação do gênero. Mas o que chamava a atenção era o brasão em forma de escudo com um P azul desenhado.

    As únicas que se destacavam do grupo eram duas mulheres com os mesmos trajes dos outros, mas que não usavam capuz. Uma deixava as longas madeixas onduladas de cor rosa a mostra, seus olhos eram verdes como esmeralda e o direito era coberto pela franja, o que dava a ela um misterioso e tímido. Enquanto isso, a outra mulher em destaque ao seu lado parecia ser mais antenada a moda, já que seu uniforme era customizado com alguns acessórios, seu corte de cabelo era na altura dos ombros, loiros, e possuía uma mecha maior do lado direito que caia gentilmente até o começo do seu seio, ela usava óculos escuros que cobriam os olhos róseos e usava brincos.

    — Quem são vocês?! – gritou Clay, ainda que não tivesse tanto barulho.

    — Você é cego?! – começou a loira. – Não vê o nosso brasão, somos da Team Plasma, e vocês tem algo aí atrás de vocês que nos interessa muito.

    — Não sabia que mais gente tinha conhecimento da pedra estranha lá – disse Lenora, olhando para colega.

    — Não eram pra saber – respondeu o especialista em tipo solo. – O que sabem sobre a pedra?!

    — Acha mesmo que vamos contar? Somos os vilões! – a mulher mostrou a língua, debochada. – Nunca saberão que queremos a Dark Stone para entregar ao nosso Rei.

    — M-Mikoto... – murmurou a de cabelo rosa. – Você falou.

    — Droga, eu nunca seguro minha língua – bufou Mikoto, cruzando os braços.

    — Dark Stone? Só pode ser brincadeira, isso é uma lenda! – gritou Morrison, perplexo.

    — Eu não me importo se você acredita ou não. A Dark Stone vai ser nossa e pronto – a loira sacou uma Pokéball.

    — Eu queria resolver isso no diálogo – argumentou a mulher ao dela.

    — Kana, querida, um pouquinho de ação não machuca ninguém – riu a outra. – ATENÇÃO, SEUS MIOLOS MOLES! – exclamou ela para os outros uniformizados. – LUTEM!

    Mikoto foi a primeira arremessar sua Pokéball, seguida de Kana. Os outros membros liberaram Woobats, Patrats, Watchogs e até mesmo alguns Liepards. Do objeto esférico da mulher loira, uma criatura de pedra de um metro e setenta saiu, ele andava sobre quatro patas, as rochas de seus membros principais como cabeça, troco e pernas eram azuis, enquanto as articulações eram de cor cinza. Sem contar também os detalhes pontiagudos em vermelho e os olhos amarelos mal-encarados. Seu nome era Gigalith. Da outra Pokéball, um Pokémon de aparência curiosa surgiu, seu corpo principal era composto por uma enorme cabeça com olhos pretos e uma boca em forma de losango, acima dela, duas orelhas flutuavam, o tronco era pequeno e terminava em dois pequenos pés, de cada lado do corpo haviam esferas que aumentavam gradativamente de tamanho e imitavam braços e mãos, começando num verde claro igual do corpo principal da criatura e terminando em círculos amarelos e vermelhos, seu corpo era cercado por uma bolha que mantinha o Pokémon mergulhado num líquido verde escuro. Esse era o Reuniclus.

    — Eles não estão com brincadeira – murmurou Lenora. – Seja lá o que for aquilo, vale a pena lutar por ela.

    — Não precisa nem avisar duas vezes – Clay lançou seu Pokémon, o mesmo foi imitado por sua companheira.

    A mulher liberou um enorme Pokémon rechonchudo e rosa, seu maior destaque era a enorme língua que insistia em ficar pra fora, suas pernas era curtas assim como seus braços, e sua cabeça tinha um elegante topete e olhos pretos e pequenos, fora alguns detalhes em branco e amarelo na sua barriga, a cauda era gorda e da mesma cor do resto. Era um Pokémon originário de Sinnoh conhecido como Lickilicky. Já a outra criatura era um Excadrill, de Unova, era menor que o gigante rosa ao seu lado e se parecia com uma toupeira, nas suas patas e cabeça, metais pontudos saiam que quando se uniam, fazia do Pokémon uma espécie de broca, o resto do corpo era marrom com exceção do rosto branco e o focinho em tom rosa claro.

    — Eles são líderes de ginásio, Mikoto – sussurrou Kana, toda cautelosa. – São treinadores excelentes, cuidado.

    — Ninguém derruba meus bebês de pedra – debochou a garota ao seu lado. – Gigi, querido, comece com Sandstorm.

    Com movimentos rápidos e pesados, Gigalith começou a bater as patas no chão, usando o solo para criar levantar poeira do chão e criar uma tempestade de terra que dificultou um pouco da visão de todos.

    — Você quer mesmo usar esse truque barato na frente de um especialista? – riu Clay. – Excadrill, use Rapid Spin pra limpar o campo e Metal Claw para atacar!

    O Pokémon obedeceu aos comandos, encolhendo-se em seu corpo como uma bola e saindo girando rapidamente, fazendo com que boa parte da poeira começasse a se dissipar, o que foi uma oportunidade para que os outros integrantes do Team Plasma iniciassem seus ataques contra outros Pokémon que pertenciam aos escavadores. Quando Excadrill foi executar seu próximo ataque, percebeu que a criatura de pedra e o outro psíquico haviam sumido.

    — Não esquece de olhar pra cima – disse Kana.

    Reuniclus flutuava pelos céus e começou a descer agilmente em direção ao adversário, que emitiu um brilho de suas partes de metal, preparando-se para contra-atacar.

    Psybeam! – ordenou a de cabelos róseos.

    — Ataque, Excadrill!

    O Pokémon toupeira se preparou para saltar e usar suas garras para bloquear o raio psíquico em sua direção, mas foi impedido quando o Gigalith, que estava camuflado entre as pedras, surgiu e o derrubou, anulando seu ataque. Seria impossível se desviar do golpe agora.

    — Lickilicky, Screech! – ordenou Lenora.

    Ainda que o gigante rosa fosse lerdo, seu movimento foi eficaz. Numa espécie de grito ensurdecedor, ele conseguiu impedir o ataque ao seu companheiro, o Reuniclus tapou os ouvidos e o Pokémon de pedra recuou enquanto sacudia a cabeça, inquieto.

    Power Whip naquele Gigalith! – comandou logo em seguida.

    Lickilicky transformou sua língua em um tom púrpura brilhante antes de partir pra cima do seu adversário que ainda estava sob o efeito do Screech e sua guarda estava baixa, o golpe do tipo Grass então, foi super efetivo.

    — Maldita bolota rosa! – praguejou Mikoto. – Está machucando meu bebê!

    Kana suspirou.

    Thunder Wave, Reuniclus – ordenou ela, com calma. – No Lickilicky.

    Recuperado, o Pokémon na bolha liberou uma certa quantidade de carga elétrica que foi direcionado ao indicado, Clay, por sua vez, foi rápido e ordenou que Excradrill recebesse o ataque, o Ground-type dele eliminou o efeito do golpe elétrico.

    A loira que comandava o Gigalith bateu o pé irritada, olhou em volta e percebeu que a maioria dos capangas de sua equipe haviam sido derrotados, desse jeito seria difícil conseguir a Dark Stone.

    Uma ideia surgiu em sua mente e ela sorriu sarcasticamente.

    — Kana, é hora do Boom.

    — M-Mikoto, tem certeza? – a de cabelo rosa parecia preocupada.

    — Estamos perdendo tempo aqui. A Gothorita está pronta?

    — Sim... – suspirou a outra, um tanto temorosa. – Reuniclus, use Psychic para fazer o Gigalith levitar.

    O Pokémon psíquico usou seu golpe pra criar uma aura rosa bebê em volta do gigante de pedra, fazendo-o levitar até certa altura, seus adversários olhavam com certa dúvida e confusão, Clay e Lenora se entreolharam, temerosos do que poderia vir. Os olhos de todos se arregalaram quando a criatura largou o Gigalith, e a gravidade o começou a puxar pra baixo em uma velocidade um tanto alta.

    EXPLOSION! – Mikoto gritou, chegando a fazer eco. Seu Pokémon olhou pra ela com uma feição de tristeza antes de encolher para executar o golpe.

    — LICKILICKY, PROTECT!

    O Pokémon da mulher, ainda que não pudesse proteger uma grande área, usou seus poderes para criar uma espécie de barreira que segurou um pouco do impacto da enorme explosão que conseguiu alcançar uma área considerável, derrubando estruturas, destruindo equipamentos e levantando muita poeira. Com um golpe desses, talvez até os próprios capangas da Team Plasma e as duas treinadoras tivessem sido afetados. Ou quase.

    Kana parecia concentrada ao manter as mãos juntas, junto de seu Reuniclus, ela criou bolhas psíquicas para proteger seus aliados da enorme explosão, Mikoto encarava tudo aquilo com satisfação, não havia mais sinal de seu Gigalith, mas em compensação, um Pokémon com menos de um metro de altura de aparência humanoide de cor preta com detalhes de laços brancos apareceu, carregando a Dark Stone em seus braços, seu rosto lilás tinha uma expressão de satisfação. A treinadora de cabelos róseos olhou para ela com um sorriso leve.

    — Bom trabalho, menina.

    — Conseguimos! – comemorou a loira, colocando a esfera dentro de uma maleta de segurança reforçada e selando-a. – Vamos pessoal, temos um tempinho até a poeira abaixar.

    Kana retornou seus Pokémon e olhou para sua companheira, as duas se dirigiram até um jipe que estava estacionado há alguns metros dali, o automóvel era pilotado por um capanga, que logo ganhou movimento. A treinadora dos Pokémon psíquicos continuou a encarar sua amiga.

    — O Rei vai ficar tão satisfeito – sorriu ela, animada.

    — Mikoto, seu Gigalith... – começou, num tom pesaroso.

    — Foi um sacrifício válido – a expressão de animação de Mikoto mudou um sombrio. Como se sua personalidade variasse com frequência.

    — Ele pareceu sentir dor e tristeza.

    — Não se preocupe, Kana – a loira olhou a paisagem em movimento pela janela. – Pedras não sentem dor... E nem eu.

    O silêncio tomou conta, ainda que a missão estivesse cumprida, a sensação de perda era muito forte para ignorar.

     

    Lenora tossia muito, ainda que seu corpo estivesse coberto de pedrinhas e poeira, o Protect de seu Lickilicky a tinha prevenido de algo pior, por sorte, Clay e Morrison tinham sido protegidos também, ambos tossiam também, limpando suas roupas. A poeira demorou um bom tempo para cessar até que se pudesse ver algo. E o que viram fora o caos. A Twist Mountain, que há minutos atrás era um sítio arqueológico muito bem planejado e organizado, agora parecia restos de uma escavação amadora e sem sucesso.

    No final, o mais importante agora eram as vidas humanas e Pokémon que foram soterradas. Morrison liberou um Onix, uma enorme serpente de pedra da região de Kanto, que começou as buscas, Clay ligou por ajuda, ainda estava assustado e tentando processar tudo que estava acontecendo.

    Lenora ajudou um dos escavadores a se levantar, Lickilicky imitava sua treinadora, oferecendo suporte.

    — Eles sumiram...

    — Isso foi estranho, eles estavam aqui por um objetivo, e simplesmente desapareceram? – questionou o líder da expedição.

    Clay olhou assustado para seus companheiros e correu para o túnel onde repousava a esfera negra misteriosa, voltando minutos depois, arfando, tentando formar palavras.

    — S-Sumiu!

    — O quê? – Lenora se aproximou.

    — Eles levaram a esfera! Eles levaram a Dark Stone! – exclamou o líder.

     


    O chão com carpete infantil que imitava o céu com nuvens dava uma sensação estranha, porém reconfortante a N, ele se sentia acima de todos, como uma sensação de paz, para ele, era como se ele fosse um anjo que olhava para a terra e julgasse os pecados dos mortais. Seu quarto ainda mantinha a mesma arquitetura de quando era mais novo, com uma enorme pista de skate, blocos de montar, uma cesta de basquete e um baú de brinquedos, a cama era um amontoado de travesseiros grandes que era mais o que suficiente. Tudo aquilo tinha uma explicação: N se recusava a crescer.

    Crescer lhe trazia infelicidade, quando criança, ele não precisava explicar nada, seus sonhos eram levados a sério, e aquilo que ele acreditava não o fazia ser taxado de louco. Quando descobriu a existência de um objeto conhecido como Dark Stone, que carregava dentro dele um Pokémon conhecido como Zekrom, que nas lendas era dito como o dragão que representava os Ideais, ele viu pela primeira vez a oportunidade de mostrar para Unova, através do poder daquela criatura, qual mundo era o ideal. Um mundo onde humanos não escravizam Pokémon.

    — Você me seguiu desde Accumula Town? – disse N com a voz baixa, mantendo o foco em seu cubo mágico. – É um longo caminho, garota.

    Do meio de alguns brinquedos, a Purrloin surgiu tímida, era a mesma gata que tinha ajudado o rapaz na batalha contra o garoto que tinha uma Snivy. O de cabelos verdes estendeu a mão e sorriu gentilmente.

    — Vem cá – disse, o Pokémon se aproximou e roçou seu corpo nos dedos magros dele. – Qual o seu nome, hein? – ele continuou a observar ela, os dois trocaram olhares como uma conexão. – Katrina? Que nome lindo.

    Purrloin miou, satisfeita.

    — Bem-vinda a família.

    Ghetsis abriu a porta dupla do quarto com violência, Katrina se assustou e grudou em N, ele se levantou e suspirou.

    — Natural! Achamos! – o homem novo no ambiente disse em êxtase. – Sua Dark Stone, Mikoto e Kana conseguiram pegá-la, justamente para você, como o senhor pediu, meu Rei.

    — Já falei que odeio quando me chama de Rei – respondeu, um pouco incomodado. – Me chame de N, de Natural, ou até mesmo de filho.

    — Peço perdão, meu filho – disse Ghetsis. – Mas falando em rei. Agora que eu consegui o que você queria, você me deve um favor.

    — Eu sei, pai.

    — Quer que eu te lembre? Eu te trago a Dark Stone que contém o lendário Zekrom e você finalmente oficializa seu cargo como Rei da Team Plasma numa cerimônia.

    N suspirou.

    — Eu aceito.

    No final das contas, o quarto infantil não conseguia esconder Natural das responsabilidades da vida adulta. 



    { 6 comentários... read them below or Comment }

    1. Star do céu, minha linda, que capítulo foi esse?
      Estou BO-QUI-A-BER-TO, eu comecei lendo achando que seria um capítulo tranquilo com os líderes papeando e falando da descoberta da Dark Stone, amei vc mencionando o relacionamento entre Clay e a mãe da Hilda assim como do Jackson (q eu nem conheço, mas amo um monte), aí vc vai e me põe dois dos Virtudes que já explode a granada, ou melhor o Gigalith (RIP) assim na minha cara? Jesus, Maria, José e Arceus Flying-Type, vc se superou viu, eu to sem palavras do que dizer desse capitulo, da luta, do N, dos Virtudes e até do Pokémon que simplesmente deu um allahu akbar pra ajudar a Equipe Plasma a ter a pedra do Zekrom.
      Parabéns, Star, quero mais capítulos assim.

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      1. Yooo Leucro do CÉU

        Quer uma água pra relaxar? ahsuahushuasu Eu gosto desses diálogos do Clay e da Lenora sobre Unova, isso mostra que nem tudo é focado no protagonista, apesar dele citar a mãe da Hilda, mas eu faço isso pra mostrar que a Havana não é só a mãe da protagonistas, ela tem uma vida também, estou ansiosa pra fazer a menina Gilda encontrar o padrasto ahsuhaushuahus
        Jackson, eu faço tanta propaganda dele, mas eu espero conquistar vcs com ele na hora certa <3
        AS VIRTUDES SE FORMANDO AAAAAAAAA GIGALITH HOMEM BOMBA AAAAAAAAAAAAAA CHOQUEI TODO MUNDO COM ESSA BATALHA COMO EU QUERIA <3 mwahahahahah
        FICO MUITO FELIZ EM ANIMAR VC COM ESSE CAPÍTULO, OBRIGADA POR COMENTAR

        SEE YA

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    2. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA BOOOMMMBAAAAAA

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      1. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA KABOOOOOOOM

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    3. Oiii Star!
      Não esperava que o foco desse capítulo se afastasse tanto dos protagonistas e muito menos que fosse para o futuro padrasto da Hilda kkkkkk Gosto dessas mudanças de foco porque acabam nos mostrando o que vem acontecido em outras partes do continente e nos ajuda a lembrar que um mundo de coisas vem acontecendo ao redor dos personagens. Imagina a cara do véi quando encontrar com a Gilda e a cara da Gilda quando descobrir q aquele véi é padrasto dela.
      Essa Dark Stone é mesmo estranha e misteriosa, nunca joguei BW, então não sei se é invenção sua ou se é do jogo mesmo, mas você conseguiu criar uma atmosfera extremamente interessante ao redor dela. Pena que esses malditos Plasmas já roubaram e se apropriaram dela AAAAAAAAAA
      Agora alguém me explica o que diabos se passa nas cabeças dos plasmas que dizem que defendem os pokes mas fazem o coitado do Gigalith dar uma de POKÉMON BOMBA. Que dó do bichinho.
      Adorei o capítulo do poke terrorista. Logo mais leio o próximo!

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      1. Yoo Carol

        Eu também adoro a dinâmica de um história que não tem só a câmera apontada pro protagonista, isso tira aquele ar de que tudo no mundo só acontece com uma ou duas pessoas, apesar disso depois interferir no que acontece com eles, isso não vai ser um problema só deles haushashua
        Estou tão curiosa quanto você pra saber a reação da Hilda perante ao padrasto ahsuhusahushuas
        A Dark Stone existe sim, é um objeto que você encontra no castelo do N no jogo e a outra vc recebe da Lenora se não me engano, isso depende da versão que você joga. Mas todo esse plot sobre ser "uma lenda" é tudo feito por mim. Gosto de pensar que o povo de Unova é tão avançado o suficiente que não tem espaço pra ficar se baseando em lendas até vir a Team Plasma e mostrar que eles são todos idiotas haushuahushus
        E DAMN IT, TEAM PLASMA, AGAIN?!
        Defende os Pokémon em público e mata eles no privado. Enfim, a hipotenusa ahsuahushuashuauhs
        Obrigada pelo comentário

        see ya

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