• Thursday, July 30, 2020


    Ainda que fosse verão, o sol estava agradável naquele começo de tarde na Route 3, Hilbert e Hilda caminhavam com certa disposição em direção a Nacrene, palco do desafio para a segunda insígnia do garoto. Tivera sorte de conseguir a primeira sem precisar colocar seus Pokémon em batalha, mas sabia que isso não seria repetido com os outros líderes, ele refletia em que estratégias usar com sua Snivy e sua Minccino, que mal tivera oportunidade em entrar em desafio nenhum.
    — De acordo com os relatos de alguns treinadores, o segundo ginásio é um dos mais difíceis – explicou Hilda, lendo em seu celular um artigo de um site famoso. – Ela é especializada em Normal-type.
    — Normal? Não deve ser uma grande dor de cabeça então.
    Os Normal-type são bem flexíveis, senhor Hilbert – comentou Grimaud, surgindo em seu ombro. – Eu diria para você ter cuidado com eles.
    — Diz mais alguma coisa aí nesse site, Hilda? Talvez os Pokémon que ela usa e-
    O garoto não teve tempo de terminar sua frase pois seu corpo colidiu com o de outra pessoa e os dois foram diretos ao chão.
    — Hilbert, tudo bem? – sua companheira logo se aproximou.
    — Mas será que virou moda eu trombar com as pessoas? – resmungou, ajeitando o boné e olhando para o motivo da sua colisão.
    Era uma garota que provavelmente não passava dos dezesseis anos que se destacava pelos ruivos cabelos curtos e uma mecha azul no lado direito, usava roupas pretas e carregava na face uma expressão de irritação, enquanto seu corpo parecia apressado.
    — A estrada é enorme, moleque, o que tá fazendo no meu caminho?! – começou.
    — Que história é essa? Você estava no meu caminho, veio correndo feito uma doida! – exclamou Hilbert, tão irritado quanto ela, se levantando.
    A adolescente se levantou e arrumou sua jaqueta preta larga aberta, puxou de sua pochete uma Pokéball, sinalizando uma batalha.
    — O quê? Quer brigar é? – o treinador pegou o objeto que carregava Snivy em sua bolsa e arremessou. – Vai Brianna!
    A serpente de grama olhou para o treinador um tanto irritada por ser tirada de sua casa tão rapidamente, mas logo depois se posicionou pronta para batalhar. A adversária encarou o Pokémon do garoto e guardou sua Pokéball de volta na bolsa, olhou o relógio e com pressa, saiu correndo como um vento, deixando os outros dois que ficaram e seus Pokémon bem perplexos. O de boné vermelho exclamou:
    — Ficou com medo?! Medo da minha super Snivy né?! Volta aqui sua medrosa! – ele ameaçou correr, mas Hilda agarrou o gorro de sua jaqueta, impedindo-o.
    — Para de ser tão infantil, tá me assuntando – disse ela, um tanto irritada. – Ela estava com pressa, deve ter se atrasado pra algo.
    — Prefiro pensar que ela estava com medo de mim – ele se desvencilhou da outra e arrumou sua blusa.
    — Devia ter mostrado seus chifres pra ela, aí sim ela teria medo – ela riu, debochada.
    Hilbert encarou a amiga e encarou o lago atrás dela, a Route 3 com certeza tinha um dos lagos mais lindos de toda Unova, ele soltou um sorriso malicioso.
    — Então é assim? – o garoto partiu para cima da outra e a pegou no colo, se aproximando da água.
    — HILBERT, NÃO! – ela ria ainda que sua expressão demonstrasse um pouco de desespero. Sem pensar duas vezes, ele jogou a garota no rio que logo colocou a cabeça pra fora, encarando o amigo. – Seu...
    — Vingança, minha nobre colega de jornada – o treinador agachou-se perto do local do seu crime e riu, igualmente debochado.
    — Eu não ficaria aí se você – Hilda lançou-o um olhar malicioso.
    — Você não vai me alcançar daí, bobinha – o garoto ria cada vez mais, despreocupado.
    — Sombra, Koin, agora!
    A Zorua e o Tepig de Hilda saíram de suas Pokéball e com comando da treinadora, deram uma pequena investida no distraído, que caiu no lago ao lado da garota, ele tirou a cabeça pra fora e encarou os Pokémon e a mandante do ato.
    — Bo-bi-nho – riu a colega, enquanto nadava até a terra, alcançado a borda. – Trouxe troca de roupa né?
    — Só as roupas de baixo, porque? – Hilbert imitou o gesto da outra e saiu da água.
    — E ainda pergunta? Não pode sair com a roupa molhada por aí e esperar que uma gripe não vá te pegar – Hilda cruzou os braços, em seguida, pegou uma troca de roupa pra ela na bolsa. – Vai tira essa blusa pelo menos, vou secar ela.
    — Tá parecendo minha mãe – resmungou ele, obedecendo e entregando a peça para a amiga.
    — Só tô garantindo que você não vá ficar doente – a menina pendurou o casaco azul em um tronco de árvore próximo. – Se você dá trabalho saudável, imagina doente.
    — Muito obrigado pela preocupação – o outro revirou os olhos.

    O acontecido havia tomado mais tempo do que eles imaginaram e parte da tarde tinha passado rapidamente, e a hora de um lanchinho foi anunciado quando o estômago de Vic roncou, Hilda riu e lhe serviu um cookie com gotas de chocolate.
    O que é isso? – ele questionou, curioso com o alimento redondo, analisando-o.
    — Se chama cookie, é um doce super fácil de fazer e super popular aqui em Unova – explicou a menina, sentada perto de uma pedra ao lado do Pokémon. – Tem chocolate também. Experimenta.
    Victini deu uma abocanhada em um dos cantos do doce e olhou para a humana ao seu lado com os olhos brilhando.
    — UAU! Essa definitivamente vai entrar na lista das comidas humanas que eu mais gosto, mas nada supera o Casteliacone – riu ele.
    Hilbert riu também, logo depois, ouviu passos apressados no norte da rota, ele se virou para olhar, ainda que fosse um pouco longe, era possível ver duas figuras correndo com um saco enorme nas costas, eles pareciam desesperados, como se tivessem acabado de fazer algo que nunca cogitaram na vida deles, em minutos, eles desapareceram, seguindo para o oeste.
    Os dois jovens se entreolharam e deram de ombros, concluíram que eram só dois malucos, mas minutos depois, o grito de um senhor foi ouvido:
    — PEGUEM OS LADRÕES!
    Eu juro que não fizemos nada desse vez – inocentou-se Vic, voltando para a bolsa do amigo.
    O homem continuou a correr, mas logo tropeçou e graças ao cansaço caiu de cara no chão, a dupla de treinadores se levantou em alerta, preocupados, o menino pegou sua jaqueta na árvore e a menina recolheu o resto das coisas deles e juntos, eles foram até o acidentado.
    — Ei, senhor, tudo bem? – a garota foi a primeira a perguntar, dando suporte para que ele se levantasse.
    — R-Roubaram minhas crianças – respondeu, ainda um pouco bobo e sujo de terra. – Aqueles malditos de roupa branca – o senhor bateu o pé irritado.
    Hilda e Hilbert se entreolharam, confusos, porém desconfiados.
    — Roupas brancas?
    — D-Desculpe não ser mais específico. Meu nome é Bruce, eu sou o dono do Day Care, vocês devem conhecer, quase todo treinador usa nossos serviços – suspirou, sentando-se numa pedra, cansado. – Cuidamos dos Pokémon como uma espécie de hotel, treinamos alguns, observamos o processo de reprodução de outros, mas sempre tratando todos muito bem.
    — Conhecemos sim, ontem passamos em frente a ele – contou a menina. – Tem tantos Pokémon bebês adoráveis.
    Bruce riu e tossiu:
    — Agora esses caras apareceram falando que eu sou um monstro por “prender” Pokémon e ainda lucrar em cima disso. E então eles roubaram praticamente... todos os Pokémon que conseguiram. Eram dois jovens com uma saúde de aço e muita agilidade.
    — Eles tentaram te dar lição de moral e ainda te roubaram. Que irônico – observou Hilda.
    — Para que lado eles foram? Vamos te ajudar! – disse Hilbert.
    Nós vamos? - murmurou Vic de dentro da bolsa.
    — Eu os vi correndo para o oeste, em direção a Wellspring Cave.
    — Vamos lá, Hilda! – o garoto começou a correr, com determinação, seguida de sua companheira.
    A dupla de Plasmas respirou fundo quando entrou na úmida caverna, a Wellspring Cave não era a caverna mais intimidadora e muito menos uma das mais conhecidas, em questões de treinadores, alguns raramente passavam por lá, apenas para um treino breve ou capturar algum Pokémon, já que lá possuía uma fauna diferenciada em comparação as rotas vizinhas a ela.
    A jovem de cabelos ruivos e mecha azul encostou em uma parede molhada e resmungou quando uma gota de água caiu em sua cabeça.
    — Foi por pouco, e não conseguimos pegar tudo – disse o jovem que a acompanhava, alguns anos mais velho que ela, com um cabelo castanho liso. – Você se atrasou, Maggie.
    — Foi mal, Peter, eu acordei meio tarde e as ruas de Nacrene estavam movimentadas – ela respirou ofegante e colocou o saco com as Pokéball no chão.
    — Tava desafiando o ginásio de lá?
    — Lenora saiu do ginásio, lembra? Dei o azar de chegar lá e ela já ter viajado para Driftveil – a adolescente suspirou, tirando algumas esferas da sacola de pano. – Vamos fazer o serviço logo, pega o celular pra tirar foto dos Pokémon e mandar pro chefe.
    Peter procurou o aparelho em seu bolso e tirou um com uma capinha que carregava o símbolo dos Plasmas.
    — Acha que esse plano de fingir que resgatamos Pokémon de um “cativeiro” vai funcionar? E ainda vamos postar em redes sociais, isso é tão... errado – disse o rapaz, abrindo a câmera.
    — Notícia falsa é o que mais tem, até descobrirem, o chefe disse que vamos atingir uma boa parte da população – respondeu Maggie, analisando as Pokéball. – Eu só quero o dinheiro, gastei meu último centavo na hospedagem no Centro Pokémon.
    — Acha mesmo que vai chega na liga?
    — Se depender do dinheiro, não. Mas é por isso que tô na equipe Plasma, eu faço o trabalho sujo e eles bancam minhas Potions.
    — E porque não pede pro seu pai? Tu contou que ele é um líder de ginásio, deve ter dinheiro.
    — Eu nem chamo aquele velho idiota de pai, e ele nem sabe que eu existo. Ele tá ocupado treinando uma pirralha que ele achou por aí – Maggie bufou e mudou o assunto: - Qual desses Pokémon você acha que faria uma carinha de compaixão para uma boa foto?
    — Sei lá, tem um bebê aí?
    — Tem um Petilil e um Cottonee, serve?
    — Claro.
    A menina liberou os dois Pokémon de grama, o Petilil lembrava um broto verde enquanto o Cottonee remetia a uma bola de algodão fofa, os dois olhavam em pânico para os seus sequestradores. Peter agachou-se e posicionou seu celular. 

    — Isso, façam uma carinha de desespero, para parecerem que estavam sofrendo – disse o jovem, tirando algumas fotos.  
    Maggie, num misto de empatia e pena, ofereceu um pouco da ração Pokémon que carregava consigo para as duas criaturas, estas, ainda que temorosas, aceitaram. Seu companheiro tirou algumas fotos do ato.
    — Isso vai dar uma forcinha na nossa mentira.
    — Se meu rosto aparecer, eu te mato.
    — Qual é, você é fotogênica – riu Peter, observando a adolescente com um pouco de admiração. – Deve ser sua beleza e essa exótica mecha.
    — Eu já disse que não vou sair com você, Peter – ela revirou os olhos e riu com certo charme.
    — Vale a pena tentar.
    A adolescente recolheu os dois Pokémon em suas Pokéball e as devolveu no saco de pano, sentando-se no chão e encostando numa pedra, refletindo um pouco.
    — O que fazemos agora? – questionou para seu companheiro.
    — Vamos esperar uma ligação da chefia para voltarmos pro QG.
    Maggie assentiu e olhou em volta para alguns Roggenrola correndo e uns Woobats dormindo.
    — Eu acho que deveria treinar mais, pra fazer jus ao nome de treinadora – quando se levantou e sacou uma Pokéball de sua pochete pessoal. – Stu-
    — Mãos ao alto, seus foras da lei – uma voz de um jovem ecoou pela caverna, direcionada aos dois capangas da Plasma, eles olharam e se depararam com Hilbert com uma pose engraçada imitando um cowboy. – Seus dias de glória acabaram. O xerife Hilbert veio aqui para prender vocês.
    “Esse pirralho de novo?”, pensou a garota ruiva, encarando o recém-chegado com uma pose de defesa.
    — Não precisa fazer tudo isso – disse Hilda que chegou logo depois, encarando os dois bandidos. – Vocês! Devolvam os Pokémon do Day Care!
    Peter olhou para sua companheira, sacando uma Pokéball também.
    — Venham pegar, pirralhos – o jovem arremessou sua esfera, liberando um Patrat.
    — Stunfisk! – Maggie seguiu o ato do outro e liberou seu Pokémon.
    Era uma criatura exótica, parecia um peixe achatado, era marrom como se tivesse coberto de lama, suas nadadeiras ficavam em cada lateral de seu corpo, seus olhos e boca ficavam na parte de cima de seu corpo e sua cauda era amarela. 
    O treinador sacou sua Pokédex.
    “Stunfisk, o Pokémon armadilha. Sua pele é muito resistente, por isso, não se fere mesmo que pisoteado. Ele se esconde na lama para aguardar suas presas, quando elas o tocam, ele produz um choque elétrico para paralisar suas presas.”
    — Então a gente vai resolver na violência – sorriu o menino. – Ok, mas não chorem quando perderem. Brianna, vai! – ele liberou sua Snivy que se posicionou para a batalha.
    — Vou te ajudar – Hilda parecia um pouco ansiosa. – Vai, Koin!
    Tepig saiu com um grunhido determinado, mesmo não tendo experiência, seu instinto de inicial para novos treinadores parecia lhe preparar para essas situações.
    — Nós já batalhamos contra um Patrat, mas o que me preocupa é esse novo Pokémon – observou Hilbert. – Ele é tipo Ground e Electric.
    — Cuida dele que eu cuido do outro. Koin, use Ember! – ainda que um tanto nervosa, a menina parecia agitada por participar de um confronto.
    O porquinho de fogo tomou a frente do esquilo, a bola na ponta de seu rabo acendeu e ele liberou pequenas brasas em direção ao adversário.
    — Bloqueie com o Sand Attack.
    Patrat começou a cavar o chão, fazendo que com poeira se levantasse em massa e dissipasse o ataque do inicial de fogo, a poeira se manteve por alguns minutos, o que dificultou a visão de todos.
    Tackle! – a voz de Peter ecoou.
    Mud-Slap! – a adolescente ordenou.
    O Pokémon observador surgiu e acertou uma investida na Snivy, que mal teve tempo de se desviar. O outro golpe fora arremessado em Tepig, era uma rajada de lama que acertou em cheio o rosto e parte do corpo do porco, que começou a usar suas patinhas para se limpar, abaixando sua guarda.
    A poeira finalmente se dissipou e Maggie ordenou um ThunderShock de seu Stunfisk, fazendo um raio amarelo sair de seu corpo novamente em direção ao que estava tentando se limpar.
    — Koin, sai daí!
    — Ah, mas não vai mesmo. Brianna, Vine Whip no raio! – ordenou Hilbert pela primeira vez.
    A inicial de grama empurrou o Patrat de lado e usou suas vinhas para anular o golpe do Pokémon peixe.
    — Obrigada, Hilbert – agradeceu a dona do Tepig, aliviada.
    — Me agradeça quando vencermos. Vine Whip naquele Stunfisk!
    Os chicotes dessa vez tomaram direção ao causador do golpe anterior, sua treinadora tentou ordenar uma evasiva, mas a Snivy era mais rápida e graça a vantagem de tipos, o ataque foi super efetivo.
    — Não vire as costas pra mim – disse o treinador do Pokémon observador. – Bite!
    Tackle no Patrat, Koin!
    Tepig impediu a mordida que atingiria sua companheira de batalha jogando seu corpo contra o do adversário, que caiu um pouco longe.  Hilda e Hilbert de entreolharam e perceberam que a batalha estava virando para eles. Koin continuou a lutar contra o Patrat, usando Ember e Tackle na maioria das vezes, fazendo com que ele caísse desmaiado alguns rounds depois, só faltava o Stunfisk.
    — Tsc, vou ter que “apelar”. Stunfisk, use Dig.
    Rapidamente, o peixe usou seu corpo para cavar um buraco e sumir dentro do chão, deixando os outros dois Pokémon apreensivos e atentos. Tepig olhava para os seus pés, tentando sentir alguma movimentação estranha no solo, Snivy observava o cenário com agilidade, o campo de batalha estava em silêncio, era possível ouvir as gotas de água saindo das estalactites do teto da caverna e pingando no lago próximo.
    Thunder Shock no Tepig! – gritou Maggie e seu Pokémon surgiu da terra, atrás do porco de fogo e disparou o raio eletrizante contra o corpo do adversário que se debateu de dor e caiu nocauteado.
    — Koin! – a menina correu até seu companheiro e o pegou no colo, protegendo-o.
    — Somos só eu e você, sua ladra – Hilbert encarou a treinadora do Stunfisk. A adolescente franziu o cenho ao perceber que nenhum dos dois a tinha reconhecido de mais cedo, talvez fosse o efeito da touca de seu uniforme. – Brianna, Vine Whip!
    Snivy correu em direção ao adversário do tipo Ground e Electric e acertou o golpe do tipo vantajoso nele, que ainda se recuperava do golpe que tinha efetuado anteriormente, o Stunfisk se livrou do golpe saltando pra longe, esperando outro comando. O telefone de Peter interrompeu a batalha ao tocar, ele atendeu com agilidade, trocou palavras rápidas e desligou.
    — Hora de vazar – disse para sua companheira, ela assentiu e retornou o Stunfisk em sua Pokéball. A dupla ignorou seus inimigos e pegou a sacola de pano com os Pokémon roubados e começaram a correr.
    — VOLTEM AQUI! – gritou Hilbert.
    Sombra saiu voluntariamente de sua Luxury Ball de dentro da bolsa, assumindo a forma do Arcanine graças a sua habilidade, ela saltou na frente dos dois ladrões, bloqueando sua passagem, com um rugido alto, os Plasmas largaram a sacola para cobrirem os ouvidos. Maggie recuou, notando que algumas pedras começavam a balançar, querendo cair do teto, sem pensar duas vezes, ela agarrou o braço de Peter e correu para fora da caverna, sumindo em alguns minutos, deixando as Pokéball roubadas para trás.
    — Eles estão fugindo! – o treinador se agitou.
    — Mas eles deixaram o saco para trás – apontou Hilda, se aproximando pra conferir o conteúdo. – Ah, são os Pokémon do Day Care do Bruce – ela deu um leve sorriso. Zorua retornou a sua forma normal e se aproximou da dona. – Obrigada, garota.
    — Vamos deixar eles fugirem mesmo? – Hilbert retornou sua Snivy e se aproximou da amiga.
    — Eles não nos importam tanto, já deixamos eles fugirem no Dreamyard, o importante é que recuperamos os Pokémon e que todos parecem bem – a garota se levantou e carregou o saco em suas costas. – Vamos.
    — Espera aí – o treinador pareceu curioso com uma coisa logo a frente. Era um Pokémon que parecia um pedregulho ambulante, seu corpo tinha a cor azul escuro com uma espécie de buraco amarelo na parte da frente, provavelmente era algum olho, nariz ou boca, tinha uma espécie de antena de cor marrom, assim como dois pezinhos curtos do mesmo tom. A Pokédex informou que aquele era um Roggenrola, um Pokémon do tipo Rock
    — Esse é meu – ele sacou uma Pokéball do seu bolso e mirou na direção do Pokémon selvagem, quando estava pronto para arremessar, teve a ingrata surpresa de algo trombar contra seu rosto.
    Ele reconhecia a sensação e sentiu seu sangue ferver de raiva. Agarrou a bola peluda e tirou-a de sua face, era um Woobat, um Pokémon que tinha o desgosto do garoto, além do corpo peludo, possuía duas asinhas de morcego nas laterais, não era possível ver seus olhos, apenas uma boca sorridente com um único dente pontudo e o enorme focinho rosa com a narina em forma de coração, forma essa que ficou marcada no rosto de Hilbert.
    — Awn, que gracinha! – sorriu Hilda ao seu lado.
    — Não é gracinha não, olha o que essa coisa fez em mim – resmungou o garoto, tirando o Pokémon de seu caminho, mas esse insistia em ficar perto dele. – Não atrapalha minha captura, sua bolota peluda!
    Woobat grunhiu curioso, mas não desobedeceu, permanecendo ao lado dele. Recuperado, o menino encarou o Roggenrola que parecia distraído com uma pedrinha, soltou um sorriso e arremessou a Pokéball, novamente, a sorte não estava seu favor, e outro daqueles Pokémon peludo, que provavelmente estava indo até ele, acabou sendo atingido pelo objeto e, sem muita tensão, foi capturado.
    — Droga! O que ele tava fazendo?!
    — Acho que foi golpe de sorte – riu Hilda. – Tenta de novo.
    Hilbert sacou uma segunda Pokéball e arremessou novamente em direção ao Pokémon de pedra, só que mais uma vez, outro Woobat foi capturado no lugar. O garoto encarou incrédulo a cena.
    — Acho que todos os Woobats dessa caverna te querem como treinador, Hilbert – sua companheira riu, achando graça na frustração do colega e na situação que estava presenciando.
    — Eu já falei que não quero um bicho desse no meu time! – o sangue fervia cada vez mais, e já meio inconsciente dos seus atos, o menino começou a jogar Pokéballs em direção ao Roggenrola, mas cada vez, mais e mais morcegos surgiam e eram capturados pelos objetos.
    — Catorze Woobats – disse a menina, contando as esferas no chão. – É um recorde.
    Hilbert cerrou o punho e retirou a última de sua bolsa, era agora ou nunca, com fé, ele jogou-a e quando estava próxima de seu alvo, o primeiro Woobat que tinha aparecido voou até ela e foi sugada pela mesma, finalizando a última captura.
    O treinador estava boquiaberto. Não sabia se chorava por ter perdido seu Roggenrola, que depois de toda a confusão, tinha sumido, ou se ficava irritado por gastar quinze Pokéballs com um Pokémon que odiava ou, ainda, se ficava surpreso pelo acontecimento bizarro e inusitado.
    — Só pode ser brincadeira... – ele disse, por fim.
    Pense pelo lado positivo, agora você tem um exército de Woobats do seu lado. Poderá dominar eles e nenhum mais deixará uma marca de coração no seu rosto – surgiu Vic, recolhendo algumas das esferas para entregar ao amigo.
    — Isso não tem graça.
    — Bem, agora que você capturou um montão de Pokémon, podemos ir – Hilda se levantou de uma pedra e voltou a pegar o saco com as criaturas roubadas.
    Hilbert resmungou, mal-humorado e guardou as quinze Pokéballs em sua bolsa, seguindo a amiga para fora da caverna. O sol estava começando a se pôr, anunciando que logo seria noite, a menina murmurou que não iam chegar a tempo em Nacrene City e teriam que dormir num acampamento novamente.
    Os dois se dirigiram até o local que tinham deixado Bruce, que ainda permanecia sentado, inquieto, até que se levantou ao ver as duas figuras, notou o saco de pano carregado pela garota e sorriu:
    — Vocês conseguiram – ele abriu o saco, observando. – Ah, muito obrigado, crianças! Sou eternamente grato! O que posso fazer para recompensá-los?
    Hilda não pensou duas vezes.
    — Talvez uma cama quentinha para passar a noite não seria uma péssima ideia.


    O Day Care era um lugar aconchegante para todos, no andar térreo ficava a recepção que dava para uma porta dos fundos do prédio onde os Pokémon se hospedavam, no andar superior, o velho Bruce morava sozinho para administrar o local. Após recuperarem seus Pokémon e um longo banho quente, os dois treinadores receberam um jantar do senhor, que ainda agradecia pelo resgate. Envergonhados, mas com fome, a dupla se deliciou com prato de comida.
    — Não foi muito perigoso lidar com gente de organização criminosa? Eu devia ter chamado a polícia, coloquei vocês dois em risco – o anfitrião suspirou, bebendo uma xícara de café.
    — Tá tudo bem, senhor Bruce – respondeu Hilda, que já tinha terminado de comer. – Não é a primeira vez que encontramos o Team Plasma, eles são tão estranhos. Ora eles aparecem fazendo discurso de libertação dos Pokémon e do nada, eles aparecem roubando os Pokémon. É bizarro.
    — Devem ser uns lunáticos. Por favor, me prometam que terão cuidado por aí, não quero ver jovens lutando contra facções criminosas perigosíssimas – Bruce parecia realmente preocupado, tinha um instinto protetor muito grande, anos cuidando de espécies de Pokémon lhe trouxeram isso, agia quase como um avô para as crianças.
    Hilbert parecia emburrado e o velho notou.
    — O que houve, jovem?
    — Eu capturei quinze Woobats sem querer – resmungou, balançando o garfo. – Eu só queria um Roggenrola, mas do nada essas criaturas começaram a surgir e a entrar nas Pokéball que eu arremessava.
    — Uau – o senhor se surpreendeu. – Não gosta deles?
    — Não é bem... não gostar. É que parece que eu sou um imã pra a espécie, eles sempre estão enfiando aquele focinho em forma de coração na minha cara – o menino bufou, pegando as quinze esferas na bolsa e colocando na mesa. – Agora eu tenho um exército deles!
    Os outros dois humanos presentes riram.
    — Desculpe, meu jovem. Porque não solta eles?
    — Seria rude deixar eles por aí, seria como abandonar um amigo, eles confiam em mim – o treinador suspirou, reflexivo. – Mas não posso levar todos eles comigo.
    — E se eu cuidar deles para você? – Bruce sorriu. – Eu sou um dono de um Day Care, adoro companhia e não cobraria nada por isso, já que estou em débito com vocês pelo resto da vida – ele riu, rouco.
    — D-De verdade? – Hilbert pareceu interessado na oferta. – Isso seria ótimo.
    — Combinado então, agora eu tenho mais quinze Woobats na família – o velho continuou a rir.
    O menino encarou as esferas, e pegou uma que continha o primeiro Woobat que o tinha atacado na Wellspring Cave e sorriu de leve:
    — Na verdade, catorze. Eu vou levar esse aqui comigo – ele liberou o Pokémon que logo voou em volta dele, animado. – Esse carinha aqui vai comigo. Seu nome vai ser Wooby.
    O morcego grunhiu agitado, aprovando as escolhas.
    — Que criativo – debochou Hilda ao ouvir o nome, mas sorriu pela escolha do amigo.
    — Eu disse que meus nomes são os melhores. Aproveita que dá pra trocar o nome do Koin para Bacon, vai por mim.
    — Nem em sonho – ela riu, batendo no ombro do amigo. 


    Maggie resmungou ao tirar o uniforme. Seu corpo estava exausto de tanto correr, e esperava que tanta pressa tivesse valido a pena, no QG que ficavam em um prédio afastado de Nacrene, ela e Peter entregaram o relatório da missão e se desculparam por não trazerem os Pokémon roubados, o chefe da missão ignorou e disse que a foto era mais o suficiente.
    Maggie resmungou ao tirar o uniforme. Seu corpo estava exausto de tanto correr, e esperava que tanta pressa tivesse valido a pena, no QG que ficavam em um prédio afastado de Nacrene, ela e Peter entregaram o relatório da missão e se desculparam por não trazerem os Pokémon roubados, o chefe da missão ignorou e disse que a foto era mais o suficiente.
    Depois de um banho, ela deitou-se na cama macia e simples do dormitório e refletiu na sua vida. Desde de que tinha se rebelado contra seu pai, a adolescente fugiu de casa para treinar e ser uma Mestre Pokémon, para assim poder jogar na cara de seu pai que ele era um idiota fracassado. Cortou e pintou seu cabelo e a mecha tinha sido um acidente, mas que lhe dava certo charme.
    Pensou também em Hilbert e em como aquele menino o incomodava, e em como ele era bobo o suficiente para não reconhecer ela. Com certeza era uma figura engraçada. Pegou o celular e navegou pelas redes sociais, até se deparar com uma notícia.
    “Drayden, tutor de Íris, a garota prodígio, diz que a batalha dela pelo título de Campeã de Unova contra Alder já tem data marcada”
    Maggie não se deu o trabalho de abrir o link para a reportagem, apenas encarou a foto de Drayden, seu pai, e revirou os olhos. Desligou o aparelho e o colocou na cômoda.
    — Velho idiota, vamos o que ele vai dizer quando a “filha rebelde e renegada” dele chegar lá em cima – ela murmurou para si e se ajeitou para dormir. 

     

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