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- Capítulo 18


Sentia
que seus pulmões iriam explodir a cada passada que dava. Mas não havia tempo
para descanso, sua missão havia sido cumprida, porém isso não significava que
estavam em paz.
Não
era a primeira vez que invadira a casa de alguém para roubar algo precioso e
oferecer a seus superiores, mas toda santa vez, sentia o mesmo maldito frio no
estômago. Aliás, qual fora seu primeiro roubo mesmo? Ela provavelmente não se
lembrava.
—
Mano, você viu a fúria daquele Darmanitan?! – berrou Peter enquanto acompanhava
seu colega de crime.
— Vi
o suficiente para nunca mais chegar perto dele! – respondeu Maggie, olhando
para trás as vezes.
—
Cara, ele quase matou DOIS Watchogs sozinho! O chefe Kogsu vai surtar com a
gente!
—
Pegamos a Light Stone, não pegamos? – a menina mostrou o item. – Isso daqui
vale muito mais que a vida de dois míseros Watchogs.
— Às
vezes você fala como se não fosse filha de um líder de ginásio – o rapaz riu,
tenso.
—
Nem me fale daquele velho idiota.
O
quartel general da Team Plasma não ficava tão longe, por ser uma estrutura
temporária, optaram por escolher um lugar que não chamasse muito a atenção,
porém, os dois jovens decidiram tomar o caminho mais longo, a fim de despistar
o Darmanitan furioso. Quando perceberam que não havia mais sinal, sentaram-se
sob a sombra de uma árvore de uma área florestada da cidade.
—
Você tá me devendo um encontro depois disso tudo – começou Peter, não perdendo
a oportunidade.
—
Fomos quase mortos por um bicho descontrolado e você tá preocupado com um
encontro?
—
Prioridades – ele riu, recuperando o fôlego. – Deixa eu ver essa coisa de novo.
Maggie
colocou luvas térmicas e tirou de sua bolsa transversal a esfera branca que
mesmo depois de anos de existência, parecia brilhar como nova, feito mármore.
— Eu
ainda acho bizarro como fizeram um puta fuzuê pra pegar a Dark Stone – comentou
o homem, observando. – Mandaram duas membras do alto escalão. E pra pegar essa
aí, chamaram nós dois.
—
Ninguém sabia da localização dessa daqui até eu contar – explicou a ruiva,
observando o objeto. – Na verdade, muita gente nem deve saber da existência
dessas pedras. Foi Kogsu que estudou cada centímetro do território e da
história Unoviana pra descobrir que elas são reais.
— E
tem realmente um Pokémon aí dentro?
—
Meu pai me contou a história de como os dragões lendários eram muito mais que
metáforas. Internamente, ele acreditava na existência deles, ainda que não
deixassem transparecer por causa do trabalho dele – Maggie pareceu nostálgica
enquanto acariciava o objeto. – Quando ele leu esse livro na infância, ele me
contou que aquilo o incentivou a se especializar no Dragon-type. São
criaturas que carregaram no olhar a história de qualquer civilização.
— É
tão bom te ouvir contando sobre seu passado – Peter sorriu sincero. – Espero
que um dia você se resolva com seu pai.
— Um
problema de cada vez, Peter. Precisamos levar isso para o Kogsu antes que
aquele Pokémon maluco apareça.
A
menina devolveu o objeto para sua bolsa e se levantou, por sorte, acreditava
que o Darmanitan não tinha os seguido até tão longe. O que teria acontecido com
ele?
O
centro da cidade de Nacrene não parecia estar acostumado com aquele tipo de
cena. Um grande Pokémon de fogo corria pelas ruas derrubando motos e quase
virando carros, parecia descontrolado. Seu objetivo parecia incerto, como se
tivesse perdido completamente o foco.
O
trânsito estava um caos, o som das buzinas e dos xingamentos dos civis foi mais
do que suficiente para que a polícia fosse imediatamente acionada em grande
escala para acalmar a criatura, que apesar de não passar de um metro e trinta,
conseguia causar uma boa confusão graças a sua fúria.
— A
criatura está em linha reta em direção com o cruzamento das ruas 6 e 7 –
informou um dos policiais através do rádio comunicador.
O
Darmanitan de Jackson continuava a jornada sem rumo, agora, sua fúria
incontrolável dividia espaço com um medo inexplicável, que só piorava com os
barulhos das sirenes policiais. Quando achou que teria finalmente paz, se viu
cercado por cerca de cinco carros de polícia, os oficiais que desceram com seus
Herdiers e Arcanines encaravam atentos e temerosos aquele Pokémon, qualquer
movimento violento deveria ser respondido com agilidade.
Winston
sentiu seu sangue ficar mais quente que sua própria chama, só queria
reencontrar Jack e voltar para sua casa, no aconchego com Bijou, a única que
conseguia o distrair de dores do passado.
— A
gente tenta capturar ele com Pokéballs? – questionou um dos agentes para seu
superior.
—
Não podemos arriscar, se ele tiver um treinador, será impossível – retrucou o
outro. – Temos que acalmá-lo para levarmos ele ao Centro Pokémon, será mais
fácil de cuidá-lo por lá.
—
Certo – o primeiro acenou e alguns policiais liberaram a mesma espécie de
Pokémon.
Era
uma criatura branca e circular, no topo e na parte de baixo de seu corpo havia
duas seções de algodão que parecia extremamente fofo, nas laterais duas folhas
verdes pareciam asas, os olhos, bem no centro, eram alaranjados, na traseira do
corpo, um caule indicava que aquele bicho conhecido como Cottonee era do Grass-type,
combinado com o Fairy-type.
—
Todos agora usem Cotton Spore.
Ao
mesmo tempo, os Pokémon liberaram de seus corpos pequenos esporos de algodão
que tinha um efeito paralisante e relaxante já que grudavam no corpo do
adversário. Esse golpe era utilizado em batalhas oficiais para diminuir a
velocidade. O Darmanitan não reagiu, sentiu que era melhor se deixar levar do
que causar mais confusão, mas não pode deixar de ouvir a voz de Jackson ao
fundo.
—
WINSTON! – exclamou o jovem negro, abrindo espaço entre as pessoas e quebrando a
barreira de proteção imposta pelos policiais. – Ei, é meu Pokémon!
—
Garoto, a área é perigosa! – um dos oficiais, grandalhão e completamente sem
paciência, depositou um pouco de força no empurrão que deu contra Jack.
Aquilo
foi a gota d’água para Winston. Seu primeiro ato foi bater em retirada em
direção ao seu mestre, mas aquilo, que era pra ser apenas um ato de proteção
entre Pokémon e treinador, foi interpretado como uma atitude rebelde para os
policiais. O tiro foi ensurdecedor e pegou a pata direita do Darmanitan, que
pela dor, caiu no chão, próximo de Jackson, que estava boquiaberto.
—
WINSTON! NÃO! – o arqueólogo envolveu o Pokémon num abraço, desesperado. –
PORQUE FIZERAM ISSO?! ELE SÓ ESTAVA VINDO AO MEU ENCONTRO!
—
Deixou um Pokémon fora de controle sozinho por aí! – exclamou um policial. –
Olha a bagunça que ele fez!
—
ELE É UM POKÉMON DOENTE! Vocês atiram em tudo que vão contra o que acham
normal?! – retrucou, sentindo o choro preso na garganta. – Por favor, alguém
chama uma ambulância.
Hilda,
ao lado de Hilbert, sacou seu celular e jogou para o garoto, que se assustou ao
pegar o aparelho.
—
Ligue para a emergência, eu vou ajudar – com a pequena Bijou em seu colo, a
menina agachou-se perto do Pokémon de fogo. – Calma, grandão, acho que posso ajudar
a diminuir a dor. Eu não sou médica, mas vou fazer o que der – confortou,
retirando de sua bolsa, um antidoto caseiro para dor. – Um senhor muito bom me
deu esse, é para dor.
Cleffa,
por sua vez, grunhiu gentilmente, preocupada com o amigo.
O
policial se aproximou de Jackson:
— Rapaz,
vai ter que se explicar perante a polícia.
— Eu
tô ocupado agora!
—
Quanto mais você levanta a voz, mais é pior pra você – o oficial estava
impaciente.
Jack
deu de ombros, focado em Winston.
—
Moleque!
A
discussão só não continuou quando Lenora apareceu com uma expressão séria e
encarou o policial.
—
Meu senhor, por favor, eu te peço paciência. Gritar não vai resolver nada –
começou. – Vou garantir que meu sobrinho compareça à delegacia assim que o Darmanitan
dele estiver bem. E não se esqueça que a polícia deve explicações sobre usar
armas contra um Pokémon.
—
Foi em defesa, senhora – o guarda pareceu intimidado com a presença da líder.
— É
o que veremos. Por enquanto, faça o seu trabalho e traga a paz de volta. Não há
mais nada para olhar aqui.
A
negra observou a sua volta e não pode deixar de perceber que as pessoas
fotografavam e filmavam o momento, e que em breve, tudo aquilo estaria em várias
redes sociais que se espalhariam por Unova inteira.
Jackson
caminhava de um lado para o outro no Centro Pokémon, desesperado por alguma
notícia. Hilda e Hilbert pareciam não querer interrompê-lo ou incomodar,
mantendo-se em silêncio, mas igualmente preocupados, foi quando Lenora agarrou
o braço do sobrinho, irritada.
—
Quando eu confiei os cuidados do Winston a você, significava que você tinha que
mantê-lo distante das pessoas até que ele estivesse sociável novamente, e não
deixar ele correr por aí! – bronqueou. – O que ele fazia fora de casa?
—
F-Foi um descuido meu – o negro tomou cuidado com as palavras.
— Um
descuido muito grande. Espero que ele fique bem – a mais velha soltou o braço
dele. – Passe na delegacia depois, não quero que fique com o nome manchado na
justiça.
— Eu
farei isso, não fujo dos meus problemas – Jack enfim sentou-se ao lado de
Hilda.
—
Q-Qual o problema com o Winston? – questionou a menina, ainda que não tivesse
certeza de que eles quisessem falar sobre esse assunto.
—
Winston era um Pokémon de um ex-militar – surpreendentemente, o arqueólogo
explicou com sinceridade, olhando pra ela. – Ele já viu muita coisa, e isso
afetou o psicológico dele. Como ele foi criado exclusivamente para... matar –
ele pareceu relutante em dizer a palavra, ainda que fosse radical demais, era o
termo mais simples no momento e direto. – Às vezes ele perde o controle. A
Bijou, minha Cleffa, me ajuda a mantê-lo calmo, como se fosse uma
responsabilidade pra ele se distrair e encontrar outro sentido na vida.
—
Uau... – naquela hora, por algum motivo, a morena só conseguiu pensar no
discurso de Ghetsis em Accumula Town e as falas de N. Os Pokémon realmente eram
objetos dos humanos? Mas como generalizar quando existiam pessoas como Jackson?
—
Que bom que ele tem você agora – o treinador de boné entrou na conversa. –
Espero que ele fique bem.
—
Obrigado pelo apoio, vocês dois – Jack sorriu de leve.
Uma
enfermeira surgiu carregando consigo uma prancheta, gentil, ela sorriu.
—
Temos notícias sobre o Darmanitan – começou ela, recebendo os olhares dos
outros quatro. – O tiro atravessou, então a bala não ficou alojada, o que não
precisou de uma grande cirurgia. Alguns dias e um pouco de fisioterapia vai ser
o suficiente. Essa espécie de Pokémon é muito forte.
—
Ah, graças a Arceus – Lenora suspirou aliviada.
—
Iremos comunicar vocês quando ele acordar – a funcionária do Centro Pokémon se
retirou.
—
Tudo bem – a líder olhou para seu celular. – Eu tenho um...compromisso agora.
Você vai ficar bem, Jack?
—
Claro que vou. Obrigado por tudo, tia.
Ela
depositou um beijo leve e carinhoso na testa dele e saiu logo em seguida.
—
Você vai contar pra ela? – questionou Hilda.
—
Sobre a Light Stone? – Jackson suspirou. – Eu não sei o que fazer...
O
silêncio prevaleceu, a atenção foi roubada pela televisão.
— E
a pauta de hoje é: Pokémon e humanos – começou a jornalista que usava um
elegante óculos. – Apesar de ser normal os relacionamentos estabelecidos
entre as espécies e nós, seres humanos, a pauta sobre a exploração e abuso
contra os Pokémon começou a ganhar destaque de umas semanas pra cá.
Recentemente, a cidade de Accumula foi palco de um abandono em série das
criaturas pelos seus treinadores, os policiais, juntamente com médicos
concluíram que se tratava de um efeito psíquico no cérebro das pessoas que
deixavam elas em transe e com essa necessidade de libertação, algo como uma
hipnose, mas ninguém sabe a fonte disto.
“Coincidentemente,
há mais de uma semana atrás, o discurso de um homem que se intitulava Ghetsis
sobre libertar os Pokémon foi feita em praça pública. Ontem à noite, um grupo
de ativistas conhecido nas redes sociais como Plasma postou fotos de supostos
Pokémon resgatados. Não há confirmação da origem dessas fotos, mas foi o
suficiente para gerar de pessoas que se solidarizaram e prestaram apoio a causa.”
Hilda
e Hilbert se entreolharam, os dois já tinha se deparado várias vezes com a Team
Plasma, mas era confuso ver como eles tinham os dois lados da moeda, uma hora,
estavam bancando os solidários aos Pokémon, enquanto, em episódios como no
Dreamyard, eles faziam os mesmos sofrerem. Qual era todo o plano por trás
disso?
—
Existem pessoas boas e ruins no mundo – refletiu Jack, ainda meio desanimado. –
As más tem que pagar pelo mal que fazem, o problema é que essa punição acaba
afetando até aquelas que não tem nada a ver com a história. Mundo injusto, né?
Os
dois assentiram de leve. Até agora, aquela jornada de conquistar insígnias e
descobrir-se a si mesmo eram os maiores desafios para a dupla, mas perceber que
nem tudo era só flores assustava um pouco eles, até porque, eles eram apenas
adolescentes de treze e catorze anos.
A
luz que refletiu nos vidros do Centro Pokémon deixava o tom alaranjando nos
objetos, anunciando que o dia estava acabando. Tanta coisa tinha acontecido
naquele dia, Hilbert havia ganhado sua insígnia, a Light Stone fora roubada,
Winston infelizmente havia tomado um injusto tiro. Que dia...
—
Ei, vocês dois – Jack virou-se para eles. – Vão voltar para a estrada?
— É
a intenção – começou o menino, mas recebeu uma leve cotovelada de sua companheira.
– Ouch...
—
Não queremos te deixar sozinho, Jack, está com tantos problemas – disse a
menina, preocupada. – Ficaremos para ajudar como pudermos, principalmente com o
Winston.
O
moreno deu um sorriso franco, confortado.
—
Obrigado. É sempre bom ter apoio – ele procurou em seu bolso um molho de chaves
e entregou para Hilda. – Eu vou passar a noite aqui no Centro Pokémon, quero
estar aqui quando ele acordar. Mas vocês podem usar meu apartamento para passar
a noite, eu insisto.
— É
muito gentil da sua parte – a garota aceitou o objeto. – Vê se come alguma
coisa.
—
Pode deixar.
A
dupla de viajantes se levantou e se direcionou a saída, deixando Jackson e a
pequena Bijou para trás. Andaram lado a lado pelas ruas de Nacrene que já
parecia ter retomado seu fluxo normal como se nada tivesse acontecido, o
silêncio era absoluto, mas a cabeça dos dois parecia estar cheia de pensamentos
e dúvidas.
—
Acha que pode ter sido a Team Plasma? – questionou Hilbert por fim.
— Que
pegaram a Light Stone? Eu acho que sim – respondeu a outra. – Mas eu não sei o
motivo. Eles são uma equipe bem confusa, ora se dizem amigos dos Pokémon, ora
machucam eles.
— Eu
queria tanto poder fazer alguma coisa – lamentou o garoto, dando de ombros.
— Eu
acho que o máximo que podemos fazer agora é ajudar Jackson no que for
necessário – sorriu a morena de leve. – Tá com fome?
— Tá
pensando o mesmo que eu? – Hilbert encarou a amiga com um sorriso travesso.
— Scratch
Café! – eles disseram em uníssimo.
— Eu
vou querer um Cookie – Vic se manifestou na bolsa.
Por
volta das sete da noite, Jackson era uma das únicas pessoas no Centro Pokémon,
compartilhava o local com os funcionários e alguns treinadores de passagem que
recuperavam seus Pokémon. O jovem estava distraído com sua Cleffa até que a
mesma enfermeira apareceu.
—
Jackson, certo? – ela continuou após ele assentir de leve e dá-la a devida
atenção: - O Darmanitan acordou, está bem calmo, mas parece bem assustado.
—
Posso vê-lo?
— É
claro.
A
funcionária o guiou pelos corredores, era incrível como aquela área era quase
invisível para quem via de fora, dando toda a privacidade para os pacientes e
médicos. Jack caminhou calmamente até chegar no quarto onde o enorme Darmanitan
descansava, ligado com alguns fios que mediam seus batimentos, um soro, uma
bolsa de sangue e seu braço atingido estava enfaixado. Se animou ao ver o seu
mestre.
— Ei
garotão – o humano esbanjou um sorriso e se aproximou. Bijou saltou de seu colo
e abraçou o amigo Pokémon com carinho. – Como se sente?
A
criatura de fogo grunhiu grave e baixo. Com uma boa conexão, o treinador
pareceu entender aquilo e sorriu.
— Eu
levei um susto... – começou ele, sincero. – Você tentou impedir o roubo da
Light Stone né? – acariciou levemente o pelo do outro, que parecia
decepcionado. – Você deixou um “presentinho” lá no apartamento. Foi uma atitude
impensável, mas eu sei que não fez de propósito. Obrigado por isso, mas da
próxima vez, eu prefiro que preze pela sua sanidade.
O
Pokémon de fogo grunhiu novamente, apontando para a Cleffa.
—
Oh, você tentou proteger ela também? – Jackson riu de leve. – Você é um Pokémon
incrível. Agora eu só preciso pensar em como explicar pra polícia e pra minha
tia o que realmente aconteceu – ele suspirou. – Ser adulto é um saco.
Bijou
grunhiu curiosa e inocente. O negro riu novamente.

Após
um bom jantar, Hilda e Hilbert retornaram ao apartamento cedido gentilmente
pelo novo amigo e decidiram que a melhor maneira de ajudar era limpando toda a
bagunça deixada por Winston. Arrumaram móveis no lugar, jogaram fora os objetos
quebrados, devolveram livros e documentos para seus devidos lugares nas
prateleiras. A tarefa mais árdua foi limpar todo o sangue deixado, apesar de
ser um elemento natural presente em vários humanos e Pokémon, observar aquela
quantidade e imaginar como aquilo parecia cena de um crime, deixava os jovens
de espinha arrepiada.
Não
tardaram muito até terminarem a limpeza, não estava perfeito, mas pelo estavam
sentindo a sensação de dever cumprido. O cansaço após isso era tanto que a
dupla se deitou no mesmo colchão de casal na sala e não tiveram grandes
problemas para dormir logo.
“Hilda, tu és ela. A VERDADE.”
—
Q-quem é? – a voz da garota ecoou naquele vazio. Estava num sonho?
Olhou
em volta e se viu cercada de fogo, igual quando tivera sua visão com o lendário
dragão, Reshiram, mas dessa vez, não viu a criatura, quem apareceu foi um
humano.
Uma
mulher.
Montando
em um elegante cavalo de Alola conhecido como Mudsdale, estava ELA, a moça que
vira no quadro na biblioteca em Striaton City: A Princesa Branca. Seus cabelos
incrivelmente brancos não indicavam velhice, já que seu rosto tinha traços
finos, suaves e a expressão séria, porém serena denunciavam o oposto. Usava um
vestido branco combinado com uma armadura que brilhava quase como diamante e
estava com uma pose pomposa.
— A
Princesa Branca... – aquela afirmação saiu como um sussurro, estava muito
impressionada.
—
Hilda Foley – a voz saiu como melodia e ela sorriu.
—
V-Você me conhece?
—
Como não conhecer? Compartilhamos o mesmo espírito.
—
H-hã?
— Você
é a nova Princesa Branca, você é a nova guardiã do dragão da verdade, Reshiram
– informou a princesa, sem muitos segredos. – Eu, Princesa Clara e você, Hilda
Foley só temos um objetivo: Provar ao mundo que a VERDADE deve
prevalecer.
—
M-mas...
—
Agora vá procurar ele. Ele está meio irritado de estar em mãos erradas.
Hilda
acordou num pulo, assustada e confusa, sua respiração estava ofegante e podia
jurar que estava suando, olhou em volta, a sala só estava iluminada com a luz
fraca de um abajur e pelos fechos de luz da lua que atravessam a janela, sinal
de que o céu estava limpo. Respirou fundo e encolheu as pernas, começando
assimilar a visão que tinha tido. Era um sonho né? Nada disso era real e estava
só delirando, certo?
Um
som de brasas queimando preencheu seus ouvidos e ela teve a sensação de sentir
seu corpo queimar, nada muito insuportável, mas que a fez virar a cabeça em
busca da origem do som, admirou-se quando percebeu que o tal som vinha do lado
de fora. Se levantou e abriu a janela, colocando um pouco da cabeça pra fora e
olhando para as ruas, mas nada da origem daquele som, ergueu a cabeça e
continuou a olhar em volta.
— É
só seguir o som – a voz de Clara sussurrou-se quase que dentro de sua
cabeça. – Ele te chama. A Verdade te chama.
—
I-Isso é brincadeira – Hilda provavelmente seria tachada de louca se seu
companheiro, que dormia feito uma pedra, a visse falando sozinha.
— Olhe
bem e você encontrará.
—
Encontrar o quê?!
— O
objeto que armazena o nosso dragão.
— A
Light Stone? – aos poucos, as coisas começaram a fazer sentido, ainda que
estivesse cética sobre o assunto de “compartilhar almas”, a morena sentiu uma
gota de esperança ao saber que o objeto perdido por seu amigo Jackson poderia
ser encontrado por ela. – Tem certeza do que está falando?
— Há
milhares de anos, tentaram pacificar a guerra entre mim e meu irmão, Eric,
prendendo Reshiram e Zekrom em esferas que controlavam seus poderes –
explicou Clara, com a voz amargurada. – Depois disso, um novo Rei assumiu
Unova e fomos enforcados em praça pública por causa da destruição causada na
região. Mas nossa luta nunca cessou – a voz agora parecia determinada. – Recupere
a Light Stone, liberte Reshiram, encontre quem possui a alma de meu irmão e
termine essa guerra, Hilda.
— É
muita informação para uma menina de catorze anos!
— Não
fuja da sua responsabilidade.
— Eu
não estou fugindo! Aliás, eu nem pedi por isso!
Mas
a princesa não respondeu.
Quem
respondeu foi Hilbert, que parecia ter acordado com os berros da companheira.
—
H-Hilda, tá ficando maluca? – ele resmungou, mal-humorado pelo sono. – Fecha
essa janela, tá frio.
—
Hilbert! – Hilda exclamou e se jogou no colchão, ajoelhada ao lado do amigo que
se assustou. – Você tá ouvindo também? O barulho de chamas!
— A
única coisa que tô ouvindo é você berrando no meio da madrugada. Tá falando com
quem?
— Eu
sonhei com o Reshiram, mas dessa vez, eu vi a Princesa Branca! – a morena
continuava a gesticular a cada palavra dita. – A mesma que vimos lá no quadro
na biblioteca de Striaton!
— É
um belo sonho... – o menino de chifres coçou seus cabelos, meio não sabendo
como responder apropriadamente tudo aquilo.
—
Não! Não é só isso...
Dessa
vez, Vic foi o que despertou.
— Cara,
o sol nem nasceu ainda, de onde vocês tiram essa empolgação?
—
Vic! – Hilda agarrou o pequeno Pokémon. – Fala que você tá ouvindo um barulho
de chamas!
— Moça,
eu sou um Pokémon de fogo, tem literalmente uma chama dentro de mim. Se eu
parar de ouvir ela, eu acho que morro.
—
Não essa chama! – ela sacudiu o Victini, agoniada.
—
Hilda! – Hilbert segurou o braço da amiga, roubando sua atenção. – Conta, com
calma, o que aconteceu.
Soltando
a criatura de fogo, a menina começou a contar tudo que tinha acontecido, desde
o começo do sonho, a conversa com Clara e o som que martelava em sua cabeça. O
meio Pokémon ouvia tudo com calma e compreensão, da mesma maneira que a amiga
fizera na Route 2, quando ele lhe contou seu segredo, notou na colega o mesmo
medo e desespero que sentira quando descobrira sobre quem ele era.
Hilda
terminou o discurso quase em lágrimas, parte dela acreditava que tudo era uma
ilusão, mas aquela sensação dentro de seu corpo a fazia temer pelo o destino
que haviam lhe imposto. Só podia estar delirando.
Foi
quando sentiu dois braços magros, porém fortes, lhe envolverem num abraço, um
abraço quente e calmo. Sabia que Hilbert não era um dos humanos mais carinhosos
do mundo, então vê-lo fazer isso a encheu de surpresa, mas com uma sensação
gostosa e tranquila de conforto, sua reação imediata foi retribuir enquanto
sentia as mãos do companheiro acariciando suas madeixas longas e soltas de seu
cabelo.
— Eu
sei que assusta no começo – ele sussurrou. – Mas não deixa o medo te dominar.
Lembre-se: Eu não vou saber te ajudar se você não me disser o que está
sentindo. É como um médico, lembra?
Hilda
sorriu de leve.
—
Obrigada, Hilbert – sentiu seu rosto corar. Era efeito da tal chama, né?
— Ok
– o outro coçou a cabeça, meio corado também. – Hã... Então quer dizer que você
consegue nos dizer onde a Light Stone está?
— Eu
acho que sim. É como um GPS dentro de mim – ela refletiu. – Talvez se eu seguir
o som e essa sensação dentro de mim e conforme ela for aumentando, isso pode me
levar até ela.
—
Então podemos recuperar o objeto para o Jackson?
— E
não é perigoso ir atrás de um objeto tão valioso? – questionou Vic, não
disfarçando muito o medo.
—
Vic, eu rio na cara do perigo – debochou Hilbert, procurando sua jaqueta.
— Hilbert,
raciocina um pouco. Se essa Light Stone é tão importante, quem roubou ela não
foi uns lacaios idiotas da Team Plasma, deve ter gente grande nisso aí. Somos
só um Victini ladrão e dois humanos que mal chegaram na fase adulta.
— Eu
vejo um Victini habilidoso, um treinador que ganhou duas insígnias e uma garota
que tem um destino incrível nas mãos. Desde quando nós temos medo de alguma
coisa, cara? – sorriu o garoto, determinado.
—
Ele tem razão, o motivo de eu seguir vocês numa jornada é por causa da enorme
coragem dos dois – riu Hilda, se levantando e prendendo o cabelo. – Vamos lá,
levanta esse traseiro lendário e vamos fazer o que sempre fazemos!
— Caçar
comida?
—
Não, nós arrumamos confusão – riu o menino, vestindo sua jaqueta. – Vamos lá,
Hilda, nos leve até essa Light Stone!
Estava
próximo de amanhecer quando Hilda e Hilbert chegaram ao local indicado pela
garota graças a sua nova “habilidade” sensitiva. Era uma espécie de arquitetura
construída para ser temporária, como se quem estivesse hospedado ali pudesse
recuar sem deixar pistas a qualquer hora. Por ser numa região afastada da
cidade, não chamava a atenção, o que infelizmente, dificultava as coisas para a
dupla, já que não tinha iluminação pública, tiveram que contar com a luz dos
minúsculos raios de sol que nascia bem preguiçosamente no horizonte.
— É
aqui? – questionou o garoto, escondido atrás de um arbusto com a companheira.
—
A-Aham, o som das chamas aumentou – a morena apontou para uma direção que dava
para os fundos do local. – É por ali.
—
Certo, precisamos nos aproximar com cuidado. Pode ter uma galera vigiando –
observou Hilbert.
—
Não consigo ver ninguém, vamos antes que fique mais claro e dificulte nosso stealth
– Hilda deixou o esconderijo sem muito cuidado e foi seguida por seu amigo.
—
Espera Hilda!
A garota
sentiu sua caminhada ser interrompida quando seu corpo bateu contra outro
corpo, ela recuou com o impacto, só não caiu porque seu companheiro a segurou e
encarou a nova figura. Era um rapaz de quase dois metros de altura com um porte
físico forte, o que explicava o motivo dele permanecer intacto mesmo com a
colisão, ele encara os dois com um semblante sério e irritado e usava o
famigerado uniforme da Team Plasma.
—
F-Ferrou – sussurrou o treinador para a mulher, intimidado.
Nossa, é tanta coisa acontecendo! Eu adoro quando os Pokémon possuem suas próprias histórias, dá uma profundidade e nos faz entender que muito antes dos treinadores se encontrarem eles já viviam suas próprias aventuras. Winston e Bijou formam um par tão fofo, e o grandão está entre os powerhouses do Jackon, é importante que ele tenha alguém para cuidar de seus traumas. Sinto que ele ainda vai ter seu espaço para brilhar, porque quando mandar o bicho para briga vai ser para matar kkkk Eu gosto muito dessa cena porque lembro da primeira vez que você me contou sobre ela, tudo fluiu muito bem e coube dentro do contexto da fic. Eles precisarão lidar com todas essas consequências geradas por um bom tempo.
ReplyDeleteAh, então essa é a tão comentada Clara e seu Mudsdale! Uma figura inusitada para dizer o mínimo, com uma ligação tão forte quanto o destino. Eu gosto da forma como a Hilda está sendo conduzida para essas duas vertentes, sua vontade em ajudar o próximo e ser médica como a cena que ela ajudou o Winston e também essas obrigações como escolhida, algo que ela deseja escapar. Unova possui ligações poderosas e ideias muito contraditórias, embora as duas façam muito sentido se analisadas com cuidado, por isso aguardo para saber como será essa conexão com o Lado Negro da força kkkkkk
Esse capítulo ficou excelente, você conduziu os personagens e trouxe novas informações o tempo todo! Adoro os momentos delicados e também as cenas de comédia, como as chamas no coração do Vic ou o abraço carinhoso entre Hilda e Hilbert. Você conseguiu trazer um pouquinho de tudo! Já estou ansioso para conferir o próximo, mantenha o bom trabalho :3 Beijos!
Yoo Canas
DeleteUma fanfic de Pokémon ora ou outra acabaria se direcionando somente a eles, não? Eu gosto de como toda a temática desse capitulo é voltada para a pauta de responsabilidades. É a responsabilidade em cima da Maggie e do Peter, em cima do Jackson, em cima da Hilda. Uns não perceberam, outros já se acostumaram e outros se assustaram. Eu só não amo mais esse capítulo do que amo o 19 <3
Clara is here <3 Mostrei o desenho dela e você finalmente pode conhece-la. É uma honra saber que a Hilda não tá sendo deixada de lado <3 Depois de tantos alertas, acho que to finalmente pegando o rumo com ela :3
Unova é muito incrível de se explorar, pq tudo é interpretativo demais, E EU ADORO METÁFORAS! ashuashuahus
Eu adoro também como pequenas cenas formam um conjunto completo de um capítulo, apesar de muitos diálogos, sinto que eles são importantes para o desenvolvimento.
Obrigadinha pelo comentário >.<
See ya
O corno é corno e filho de um Pokémon e acha que a simples amiga gritando no meio da madrugada é anormal kkkkkkkkkkkkk
ReplyDeleteHILBERT PUTO PQ A HILDA ENCARNOU A ELSA EM FROZEN 2 E COMEÇOU A GRITAR NA JANELA HAUSHUASHU
DeleteOiiii Star! Caramba, mulher, vc não dá nem tempo da gente respirar com tantos eventos acontecendo. Muito interessante pensar que o Winston tem toda uma história por trás da sua vida e penso em como isso poderá afetar seu relacionamento com os demais membros da guilda. Ele parece que faz o tipo muito confiável, mas que de uma hora pra outra explode.
ReplyDeleteMano as vezes da RAIVA dos policiais, o trabalho deles era imobilizar o pokémon e os caras vão lá e metem o TIRO. Gostei muito desse plano de fundo que você está fazendo pra os Plasmas, algo que vai dividir a população a respeito deles. Até a própria Hilda parece estar ficando um pouco dividida.
Vixi, Hilda já arrumou treta pra ela. Um destino grandioso parece que aguarda essa garota, porém acho que ela ainda vai ter que passar por muita coisa até o fim da jornada. Pensar q a pessoa X (não falando pra não dar spoiler) é uma espécie de "irmão de alma" dela me faz refletir como o relacionamento desses dois personagens vai evoluir a ponto deles entrarem diretamente em atrito.
Hilbert e a Hilda são mto fofinhos juntos, mas não tem como negar que o Vic é o que proporciona mas melhores cenas kkkkk
Capítulo ficou excelente, Star. Muita informação nova apresentada de uma maneira bem legal. Logo lerei o desfecho dessa treta no próximo capítulo.
Abraços!
Yoo Carol
DeleteVou distribuir bombinhas de asma pq to deixando o pessoal sem fôlego muito fácil rs
Eu amo o Winsto, ele é o Pokémon com o maior background até hoje dentre os Pokémon.
PUTA MERDA, ESSES POLICIAIS!
OS PLASMAS DÃO MUITO TRABALHO PRA TRABALHAR HUASUHAUHSUH Eles estão corretos em partes, mas esse radicalismo é o que torna eles "vilões" ahsuauhsh
Hilda tem um grande destino em mãos e ela só é uma burguesinha haushuashu É interessante pensar realmente em como esses dois vão se conversar, pq eles ainda continuam como dois estranhos rs
HilHil tá sendo muito gostoso de trabalhar, MAS ADIVINHA SÓ, EU SOU A RAINHA DO HUMOR, ENTÃO, TOME VIC HAUSHUASHUAHUSHUASHU
Obrigada pelo comentário, Carol
See ya
Apesar de única a nova habilidade de Hilda, não posso deixar de notar a inspiração que a kagome tem na personagem ^^ agora só falta explodir a light Stone em incontáveis fragmentos e espalhar eles por toda unova, daí sim a fica vai poder seguir os passos de sua verdadeira inspiração kkkkk
ReplyDeletePobre maço, ele só queria proteger o pessoal, ele ficou abaladamente baleado com toda comoção!
Até o próximo estrela!
Yoo Anan
DeleteAnan descobriu todos os meus planos, DAMN IT ESSES VIDENTES HUASHUAHUS
POBRE MAMACO, dá uma bala pra ele pra adoçar a vida dele, coitado
See ya